Queijo Serrano Gaúcho: O Tesouro Brasileiro com Denominação de Origem e Alma Cultural
Em 2020, um marco foi estabelecido para a gastronomia brasileira: um queijo produzido nos Campos de Cima da Serra, no sul do país, conquistou o título inédito de Denominação de Origem (DO). Este reconhecimento, que valoriza a tradição e as características únicas da região, foi concedido ao queijo serrano, uma iguaria cuja indicação protegida abrange cerca de 30 municípios do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina.
A conquista da DO para o queijo serrano não foi por acaso. Ela celebra mais de 200 anos de uma receita transmitida entre gerações, elaborada de forma artesanal a partir do leite cru de vacas criadas nas pastagens de altitude da região. A indicação protegida garante a preservação não apenas dos métodos ancestrais de produção, mas também da influência do clima e do solo singulares que conferem ao leite e, consequentemente, ao queijo, características exclusivas.
O resultado dessa combinação de fatores culturais e geográficos é um queijo semiduro de sabor marcante, que acumula premiações internacionais e agora soma mais uma honraria: desde 2024, o modo de fazer o queijo serrano é considerado patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul. Conforme informação divulgada pelas fontes, o queijo serrano produzido no sul brasileiro foi o primeiro a obter DO no país, mas não é o único queijo do país com uma Indicação Geográfica, como o queijo canastra, classificado como IP.
A “Central” do Autêntico Queijo Serrano
Embora o verdadeiro queijo serrano possa ser encontrado em diversos municípios da região dos Campos de Cima da Serra, a Queijaria Campo Nativo, localizada em Cambará do Sul, tornou-se um polo de produção. Este local abriga o primeiro centro de maturação e afinagem do queijo serrano desta área geográfica protegida, funcionando como uma espécie de “central” para essa iguaria.
Produtores familiares da região enviam suas peças para a queijaria, onde câmaras especiais asseguram que o processo de maturação siga rigorosamente os padrões estabelecidos pela Denominação de Origem. Para ser considerado autêntico, o queijo serrano precisa ser maturado por, no mínimo, 60 dias, em temperaturas controladas entre 5°C e 12°C, e ser produzido com leite não pasteurizado.
Entendendo as Indicações Geográficas
Os títulos concedidos pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) podem gerar dúvidas. A Indicação Geográfica (IG) é a categoria mais abrangente, que se divide em Indicação de Procedência (IP) ou Denominação de Origem (DO). A IP reconhece a tradição histórica de uma região na produção de um determinado item, associando-o a essa localidade.
Já a Denominação de Origem (DO) exige um nível de comprovação mais rigoroso. Além do fator humano e da tradição, a DO deve demonstrar, através de laudos técnicos, a influência indispensável da natureza, como o solo e o clima. Isso significa que o produto só adquire suas características únicas naquela região específica, sendo impossível replicá-las em outro lugar, mesmo com as mesmas técnicas de produção. No caso do queijo serrano, a temperatura e as pastagens de altitude foram cruciais para a obtenção da DO.
Experiência Gastronômica na Queijaria Campo Nativo
Visitantes da Queijaria Campo Nativo têm a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre o queijo serrano. É possível conhecer de perto a sala de cura, participar de degustações e aprender sobre a harmonização do queijo com vinhos da região e outros produtos típicos das serras gaúcha e catarinense. O espaço está aberto todos os dias, das 9h às 17h, oferecendo uma imersão completa nos sabores e tradições locais.




