Tensão escala no Oriente Médio: Irã acusa EUA de “Satã” após ataque a casamento e promete nova estratégia de guerra
O regime iraniano elevou o tom contra os Estados Unidos, rotulando-os de “Satã” após um ataque que, segundo Teerã, vitimou cinco pessoas, incluindo uma criança, durante uma festa de casamento no sul do país. Autoridades americanas, contudo, não confirmam o envolvimento de suas forças militares no incidente.
A acusação veio do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, que declarou em sua conta no X (antigo Twitter): “Se uma potência age como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã”. Essa expressão é historicamente utilizada pelo regime iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979 para se referir aos EUA.
Autoridades iranianas relataram que um ataque americano atingiu uma casa em Kuhestak, no distrito de Sirik, onde a celebração de casamento ocorria. Veículos de mídia do país informaram sobre cinco mortos, entre eles uma criança, e 68 feridos. A veracidade dessas informações não pôde ser verificada de forma independente, e Washington não comentou o episódio. Conforme informações divulgadas pelo Irã, o ataque foi classificado como um “crime de guerra” pelo Ministério das Relações Exteriores, que o considerou uma tentativa americana de encobrir fracassos militares.
Imagens chocantes e promessas de retaliação
Imagens divulgadas pela agência iraniana West Asia News Agency, atribuídas ao local do ataque, mostram cômodos e um pátio tomados por escombros. Em um dos ambientes, sandálias femininas repousam sobre um tapete manchado de sangue, ilustrando a tragédia. “Só estou feliz que as vítimas não tenham sido ainda maiores”, declarou Ali Molahi, identificado como pai da noiva.
O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, sem detalhar, afirmou que os recentes ataques impulsionarão Teerã a adotar uma **nova estratégia** em diferentes frentes: no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento das sanções econômicas impostas por Washington. Ele ameaçou que o plano deixará os alicerces de Washington “em pedaços”.
Troca intensa de ataques e impacto global
A declaração de Rezai ocorre em meio a uma escalada de ataques entre os dois países. Os EUA atingiram alvos na costa sul do Irã, enquanto Teerã respondeu com mísseis e drones contra instalações americanas em diversas partes do Oriente Médio. Essa foi a **mais intensa série de ofensivas** desde julho, quando o presidente americano Donald Trump suspendeu bombardeios contra o Irã.
Segundo os Estados Unidos, os alvos atingidos incluíam sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos marítimos, estruturas relacionadas à instalação de minas e centros de comunicação da Guarda Revolucionária. O regime iraniano, por sua vez, alega que os EUA miraram áreas próximas ao estreito de Hormuz, uma rota vital para o transporte mundial de petróleo.
Respostas iranianas e alegações de vítimas americanas
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein, Jordânia, Kuwait e Iraque, com o objetivo declarado de expulsar as forças dos EUA da região. Na Jordânia, os militares relataram a detecção de 13 mísseis, dos quais 10 foram interceptados. O Irã afirmou ter matado militares americanos no país, mas os EUA, em avaliação inicial, negaram baixas.
No Kuwait, o Irã reivindicou ataques contra a base aérea de Ali Al Salem e áreas de alojamento americanas. O corpo de bombeiros kuwaitiano confirmou um ataque de drone que causou um incêndio em um complexo residencial, mas sem registro de mortes. Qatar e Bahrein, que abrigam importantes instalações militares americanas, também reportaram ataques iranianos, com o Qatar responsabilizando Teerã e o Bahrein afirmando a interceptação de drones.
A Guarda Revolucionária iraniana também alegou ter atacado bases americanas em Erbil, no Iraque, e matado militares dos EUA, informações não confirmadas por Bagdá ou Washington. Os ataques também afetaram o tráfego marítimo no estreito de Hormuz, com o Irã afirmando que dois petroleiros foram atingidos por minas enquanto eram conduzidos por militares americanos. A empresa estatal de navegação da Arábia Saudita informou a morte de dois tripulantes filipinos em um petroleiro atingido na região dois dias antes.





