Milei aposta na soberania das Malvinas para reverter crise de popularidade com apoio de Trump e novas sanções
Com a popularidade em baixa, Javier Milei encontra nas Ilhas Malvinas uma causa capaz de mobilizar a Argentina. A disputa territorial com o Reino Unido, que se arrasta desde o século 19, ganhou novo fôlego com declarações do presidente americano, Donald Trump, que sinalizou uma possível revisão da neutralidade dos EUA na questão.
Em resposta a esse cenário, Milei realizou um pronunciamento em rede nacional, reafirmando as reivindicações argentinas sobre o arquipélago. O governo anunciou medidas práticas, incluindo sanções a empresas e empresários que teriam violado a soberania do país, em uma tentativa de fortalecer sua posição e buscar apoio interno.
Essa estratégia, no entanto, não é isenta de controvérsias, dada a própria trajetória de Milei em relação ao tema. As ações recentes buscam consolidar uma imagem de defensor das Malvinas, enquanto o presidente lida com críticas e a necessidade de reverter índices de desaprovação, conforme informações divulgadas pela imprensa argentina.
Milei reforça discurso sobre Malvinas após declaração de Trump
A questão das Ilhas Malvinas, um território em disputa entre Argentina e Reino Unido, foi colocada em destaque após declarações de Donald Trump. O presidente americano indicou que não descarta reavaliar a neutralidade dos Estados Unidos em relação à soberania do arquipélago, uma posição que agrada à Argentina e desafia o Reino Unido.
Em menos de três dias, Javier Milei utilizou a oportunidade para se pronunciar em rede nacional. Cercado por seu gabinete, o ultraliberal declarou que as Malvinas são argentinas “por história e por direito”, descrevendo a ocupação britânica como uma “situação colonial que se perpetua até os nossos dias”. Milei prometeu medidas práticas para defender a soberania.
Argentina impõe sanções a empresas e empresários por violação da soberania
Em continuidade às ações anunciadas, a Casa Rosada informou ter iniciado procedimentos para impor sanções a 15 empresas e empresários. O motivo seria a violação da soberania argentina nas Ilhas Malvinas. Este grupo se soma a outras 45 pessoas e companhias já sob mira do governo.
Na véspera, a gestão de Milei já havia anunciado denúncias penais contra cinco petrolíferas que atuam no arquipélago. O argumento central é que essas empresas operam sob licenças do “governo ilegítimo do Reino Unido” e sem autorização argentina, o que violaria a legislação sul-americana.
Histórico de Milei e Malvinas: de elogios a Thatcher a busca por diplomacia
O tema das Malvinas é particularmente delicado para Javier Milei, devido a declarações anteriores. Durante um debate em 2023, antes de ser eleito, Milei elogiou Margaret Thatcher, que liderou o Reino Unido na Guerra das Malvinas em 1982, chamando-a de uma das “grandes líderes” da história. A guerra resultou na morte de 649 argentinos e 255 britânicos.
Na ocasião, Milei afirmou que a Argentina “participou de uma guerra que perdeu e devemos fazer todos os esforços para recuperar as ilhas por meios diplomáticos”. Uma vez no poder, ele buscou se aproximar do Reino Unido, abordando a questão das ilhas em encontros com autoridades britânicas, uma estratégia considerada controversa na Argentina.
Em abril do ano passado, Milei declarou que a ideia era fazer com que “todos os cidadãos do mundo busquem o sonho argentino”, uma possível referência ao desejo da maioria dos habitantes da ilha de permanecer sob soberania britânica. Ele argumentou que o objetivo era se tornar uma potência a ponto de os habitantes preferirem ser argentinos, “para que não precisemos usar dissuasão ou persuasão para alcançar esse objetivo”.
Novas controvérsias e impacto na popularidade de Milei
Recentemente, Milei adicionou outra controvérsia ao tema. Em 24 de agosto, um navio petroleiro com bandeira britânica atracou no porto de Ushuaia, sob a administração da Agência Nacional de Portos e Navegação, que passou a ser um órgão federal desde janeiro deste ano. A presença do navio gerou um conflito político com o governo da província da Terra do Fogo.
Andrés Dachary, secretário para as Malvinas, Antártica, Ilhas do Atlântico Sul e Assuntos Internacionais na província, afirmou que “isso nunca havia acontecido antes”. Ele expressou dificuldade em acreditar no discurso atual de Milei sobre as Malvinas, lembrando que “há pouco mais de um ano, as mais altas autoridades do governo se reuniam no Teatro Colón para celebrar a ‘amizade perpétua’ com o Reino Unido”.
Os impactos dessa nova postura na imagem de Milei ainda são incertos. Uma pesquisa recente da AtlasIntel, realizada em agosto para a Bloomberg News, mostrou que sua desaprovação caiu quatro pontos em relação ao mês anterior, mas permaneceu em 58%. O aceno de Trump, no entanto, sugere que a diplomacia focada em EUA e Israel pode estar rendendo frutos.





