Guerra no Irã: Acordo Imprevisível Pode Deixar Legado de ‘Missão Descumprida’ para EUA e Israel
Os objetivos iniciais de Israel e Estados Unidos na guerra contra o Irã, que incluíam o fim do programa nuclear iraniano, mudança de regime, restrições a mísseis e desmantelamento da rede de aliados como Hezbollah e houthis, parecem distantes de serem alcançados com o acordo em negociação. Independentemente do resultado das conversas entre americanos e iranianos, a percepção é de que as metas anunciadas não serão cumpridas.
Em vez disso, a guerra provocada pela administração Trump e pelo governo Netanyahu pode resultar em um Irã com um regime ainda mais linha-dura. Além disso, o programa de mísseis e drones do país não deve ser restringido, e a transferência de urânio enriquecido pode não ocorrer completamente. A relação do Irã com seus aliados regionais também permanece incerta.
A administração do Estreito de Hormuz, uma via marítima crucial, pode se tornar uma arma poderosa nas mãos do Irã. Mesmo com um acordo prevendo a liberação da passagem, o Irã já sinalizou a possibilidade de impor taxas, mantendo a ameaça de restringir o tráfego. As autoridades da Guarda Revolucionária veem o controle do estreito como um importante instrumento de dissuasão, conforme informações divulgadas na fonte original.
Novas Modalidades de Cessar-Fogo e Desconfiança Mútua
A dinâmica atual sugere uma nova forma de cessar-fogo, onde as hostilidades persistem. Os Estados Unidos realizaram ataques de “autodefesa” mesmo com um cessar-fogo em vigor, enquanto o Irã ameaçou retaliar. No Líbano, centenas de mortos foram registrados em ataques israelenses desde um acordo de trégua em abril, com Netanyahu afirmando a intensificação dos ataques contra o Hezbollah.
O Irã exige a interrupção das hostilidades como pré-condição para um acordo de paz, tanto em seu território quanto no Líbano. Israel, por outro lado, busca “salvo-conduto” para continuar ataques em solo libanês. A desconfiança iraniana em relação aos EUA é profunda, lembrando ataques anteriores durante negociações e a manutenção do bloqueio marítimo após o cessar-fogo de 8 de abril, o que levou Teerã a retomar restrições em Hormuz.
Exigências Irânianas e Resistência nos EUA
Uma das principais exigências do Irã para fechar um acordo é o descongelamento de seus ativos no exterior e a remoção de sanções. Os iranianos buscam a liberação de metade dos US$ 24 bilhões congelados na assinatura do acordo, com o restante em 60 dias. Essa demanda enfrenta resistência nos EUA, com o senador republicano Ted Cruz classificando um acordo nesses moldes como um “erro desastroso” que viabilizaria um Irã com capacidade nuclear.
Programa Nuclear e Relações Regionais em Jogo
O programa nuclear iraniano e o destino do urânio enriquecido seriam discutidos em uma segunda fase do acordo, mas as visões dos dois lados divergem. O Irã recusa-se a transferir o urânio para um terceiro país, enquanto os EUA consideram a diluição em solo iraniano, com fiscalização internacional. A relação do Irã com o Hezbollah e os houthis, uma “linha vermelha” para Israel, nem sequer é mencionada no rascunho atual do acordo, gerando incertezas sobre sua aceitabilidade.
O Legado de Trump e a Busca por Vitória
A estratégia de Donald Trump, que busca sempre “declarar vitória e nunca admitir derrota”, conforme citado em uma postagem do Ministério das Relações Exteriores do Irã, pode ser desafiadora neste cenário. Convencer o público de que um “fracasso retumbante” foi, na verdade, uma vitória, parece uma tarefa árdua no contexto da guerra no Irã, cujos resultados ainda são incertos e podem selar uma “missão descumprida” para EUA e Israel.





