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Alemanha na ONU: IA é ‘perturbadora’ como bomba atômica, pede regulação urgente e comparativo com poder nuclear

Alemanha defende regulação da Inteligência Artificial na ONU, comparando os riscos à bomba atômica

Em um discurso contundente na Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, traçou um paralelo alarmante entre o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) e a proliferação nuclear. A comparação, segundo ele, serve para dimensionar a urgência de se estabelecer um controle internacional sobre essa tecnologia disruptiva.

Wadephul utilizou uma analogia provocativa para ilustrar sua preocupação. Ele imaginou um cenário onde armas nucleares fossem desenvolvidas por empresas privadas, com arsenais em suas instalações e códigos de lançamento sob controle de executivos. Essa imagem, classificada por ele como “perturbadora”, foi usada para enfatizar a necessidade de regulação da IA.

A declaração do chanceler alemão vem em um momento de tensões globais e questionamentos sobre a ordem internacional, com potências que, segundo o ministro, “acreditam que se saem melhor se ignorarem as regras consagradas na Carta das Nações Unidas”. A intervenção da Alemanha na ONU, conforme divulgado, busca alertar a comunidade internacional sobre os perigos de uma IA desregulada.

Concentração de poder e influência em poucas mãos

Johann Wadephul destacou que a maior parte das patentes relacionadas à tecnologia de IA está concentrada em apenas dois países. Essa concentração representa, em suas palavras, “uma enorme quantidade de influência na mão de muito poucos”. Essa realidade, segundo o ministro, exige atenção imediata para evitar desequilíbrios de poder e garantir um desenvolvimento ético e seguro da IA.

A urgência da adaptação das instituições internacionais

O chanceler alemão ressaltou que a revolução tecnológica da IA não espera pela adaptação das instituições globais. “São nossas instituições que precisam se adaptar à IA”, afirmou Wadephul, conclamando os países-membros da ONU a trabalharem na criação de requisitos comuns de segurança para os modelos mais avançados de inteligência artificial. Ele alertou que a “esmagadora maioria dos 193 países representados nesta Assembleia Geral” poderá sofrer as consequências se o direito internacional for enfraquecido.

Contexto geopolítico e diplomacia ativa da Alemanha

O discurso na ONU ocorreu após um breve encontro entre Wadephul e seu homólogo russo, Sergei Lavrov, o primeiro em nível ministerial desde o início da guerra na Ucrânia. A Alemanha, que se posiciona como a maior apoiadora da Ucrânia em sua defesa contra a agressão russa, buscou, segundo informações da imprensa alemã, alertar a Rússia sobre o “caminho perigoso da escalada contra a Alemanha, a Europa e a Otan”. O episódio do drone com explosivos encontrado em Leipzig, atribuído por Berlim aos serviços de inteligência russos, também foi abordado na reunião.

Preocupações adicionais e a necessidade de reforma na ONU

Além da questão da IA, o ministro alemão expressou preocupação com a situação humanitária em locais como o Haiti, o Sudão e a Ucrânia. Wadephul reiterou a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, um pleito compartilhado por outros países, incluindo o Brasil, visando tornar a organização mais representativa e eficaz diante dos desafios globais atuais.

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