De amiga a inimiga: A reviravolta de Amanda Ungaro contra o casal Trump após deportação dos EUA.
A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, emergiu nas manchetes internacionais após um perfil atribuído a ela no X (antigo Twitter) fazer ameaças contundentes à ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e acusar o ex-presidente Donald Trump de ser um “pedófilo”. As declarações explosivas surgiram em um contexto de longa proximidade de Ungaro com o casal.
Por quase duas décadas, Ungaro manteve laços estreitos com Donald e Melania Trump, em grande parte devido ao seu casamento com Paolo Zampolli, 56, um empresário italiano e aliado de longa data do ex-presidente. Zampolli, que já era amigo de Trump, foi o responsável por apresentar Melania Knauss ao republicano em 1998, em Nova York.
A relação de Ungaro com figuras controversas como Jeffrey Epstein, um criminoso sexual condenado, também veio à tona. Em 2002, aos 17 anos, ela viajou em um dos aviões de Epstein de Paris para Nova York. Na ocasião, relatou ter visto cerca de 30 meninas jovens no que descreveu como um ambiente semelhante a um desfile de moda, mas com características de estudantes. Essa informação foi divulgada em entrevista ao jornal O Globo e ligada à então companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell.
A proximidade com os Trump e o rompimento abrupto
Durante anos, Amanda Ungaro e Paolo Zampolli foram figuras recorrentes na vida social dos Trump, participando de eventos como festas de Ano-Novo na luxuosa residência Mar-a-Lago. Melania Trump, inclusive, demonstrava afeto pelo filho do casal, enviando presentes em aniversários e, segundo Ungaro, até o Serviço Secreto para parabenizá-lo em 2016.
Contudo, após sua separação de Zampolli em 2023 e posterior casamento com um médico brasileiro, a vida de Ungaro tomou um rumo dramático. Ela e o novo marido foram presos em junho de 2025 sob acusações de fraude e exercício ilegal da medicina, relacionadas a um spa onde trabalhavam. Enquanto o marido foi liberado sob fiança, Ungaro permaneceu detida devido à expiração de seu visto.
Acusações e deportação: O estopim das ameaças
A situação de Ungaro se complicou quando, segundo o jornal The New York Times, Zampolli teria informado o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) sobre a permanência ilegal da ex-mulher nos EUA. Ungaro foi deportada em outubro de 2025. Em resposta, em publicações agora apagadas no X, ela direcionou fortes acusações a Melania Trump, alegando que a ex-primeira-dama sabia de sua detenção e de seu status migratório, e que tentou “envolvê-la” em algo que ela não fez.
“Eu te conheço há 20 anos”, teria escrito Ungaro, dirigindo-se a Melania. “Você sabia que eu estava detida no ICE. Você esteve presente na minha vida. […] Vou destruir seu sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Não tenho mais nada a perder na minha vida. Tome cuidado comigo”, ameaçou a ex-modelo.
O posicionamento oficial e a negação de envolvimento
O Departamento de Segurança Interna dos EUA, responsável pelo ICE, emitiu uma nota oficial negando qualquer interferência externa no processo de deportação de Amanda Ungaro. O órgão afirmou que ela foi presa e deportada por ser uma “estrangeira ilegal criminosa que estava fraudando americanos e colocando a vida de pessoas em risco ao administrar uma clínica médica sem licença”.
A defesa de Melania Trump, por meio de um porta-voz, declarou ao The New York Times que a ex-primeira-dama “não tem conhecimento nem envolvimento nos assuntos pessoais de Zampolli e de Ungaro” e “não teve nenhum contato ou envolvimento” com o ICE. A declaração visa desassociar Melania das alegações e das ações de deportação de Ungaro.
O passado turbulento e as acusações criminais
As acusações contra Amanda Ungaro incluem fraude organizada, duas acusações de furto qualificado e exercício ilegal da medicina. Ela permaneceu nos Estados Unidos ilegalmente por quase seis anos após a expiração de seu visto em novembro de 2019. Um juiz de imigração emitiu a ordem final de deportação em setembro de 2025, concretizada em 1º de outubro do mesmo ano.
Paolo Zampolli, por sua vez, negou ter solicitado favores ao ICE em relação a Ungaro, afirmando ter apenas buscado entender os detalhes do caso. A polêmica envolvendo a ex-modelo promete gerar mais desdobramentos, com as acusações de Ungaro adicionando uma nova camada de complexidade à já turbulenta relação com o clã Trump.





