André Oliveira DB, bicampeão nacional, disputa a glória mundial na Suíça em 24 de outubro, levando a essência do passinho e do funk brasileiro para o palco internacional.
O dançarino André Oliveira DB, de 27 anos, está prestes a brilhar na Suíça, onde representará o Brasil pela segunda vez na aguardada final mundial do Red Bull Dance Your Style. O evento, que celebra a arte da dança em sua forma mais pura e improvisada, acontece no dia 24 de outubro.
Nascido e criado no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, André se destaca por sua habilidade única de fundir o passinho, ritmo declarado patrimônio cultural imaterial do Rio em 2024, com elementos do balé clássico, executados de forma peculiar, descalço. Essa fusão de estilos tem conquistado o mundo.
A jornada de André Oliveira DB é marcada por superação e reconhecimento. Sua trajetória inspiradora foi retratada em um documentário indicado ao Emmy Internacional, mostrando a força e a dedicação por trás de cada movimento. O artista também atua como coreógrafo e já dividiu o palco com grandes nomes, como Mariah Carey, em uma apresentação memorável no Rock in Rio 2024.
Da Vila Cruzeiro para o Mundo: A Ascensão de um Ícone do Passinho
André Oliveira DB, com seus 27 anos, é um dos maiores expoentes do passinho, gênero que emergiu dos bailes funk cariocas e que mescla influências de break, capoeira, frevo e até mesmo ballet. Sua ascensão impressionante o levou a conquistar o bicampeonato nacional do Red Bull Dance Your Style em maio deste ano, garantindo sua vaga na final mundial.
O formato do Red Bull Dance Your Style é desafiador: 16 dançarinos se enfrentam em batalhas de improviso, onde o público presente é o júri, escolhendo o vencedor a cada rodada. A música é revelada apenas no momento da disputa, exigindo dos participantes criatividade e versatilidade.
Em uma das batalhas da final nacional em Campinas (SP), André surpreendeu ao improvisar com a icônica música “Beat It”, de Michael Jackson. Ele demonstrou seus característicos movimentos de ponta de pé, simulando a dança de bailarinas clássicas sem sapatilhas, e misturou o passinho com influências afro e vogue, mostrando sua profunda conexão com a dança.
“O Gingado Brasileiro na Suíça”: A Missão de André
“Significa muita coisa ir para a Final Mundial, principalmente por estar representando minha dança e o Brasil. Tenho muita gente como referência aqui e vou poder representá-los lá. Estou treinando diariamente, trazendo minha experiência, vivência e essência. E vou levar o gingado brasileiro para a Suíça, principalmente o passinho e o funk”, declarou André antes de embarcar para a competição.
Sua jornada no passinho começou de forma humilde, dançando na sala de casa na Vila Cruzeiro e gravando seus passos com um celular improvisado. “A dança está comigo desde que eu nasci, não sei quando comecei a dançar o passinho”, revela ele no documentário “Passinho Foda – O corre por trás da dança”, que narra sua trajetória até a final de 2023 e a história do passinho.
Superação e Paixão: As Marcas de um Guerreiro da Dança
André Oliveira DB não esconde os desafios físicos enfrentados na dança. “É comum me machucar dançando passinho. Já treinava no asfalto. Então nunca tive um local tão adaptado pra treinar. O dedo machuca. Se não sangrar, não é passinho. Tem que sangrar”, conta o dançarino, que convive com uma lesão no joelho devido ao esforço repetitivo nos treinos.
Apesar das dificuldades, a mãe de André, inicialmente receosa com a escolha do filho, hoje o apoia incondicionalmente. “Eu tinha medo. Se você ia ficar na rua, se misturar com as coisas que não deve”, revelou ela no documentário, demonstrando a preocupação familiar com um caminho muitas vezes estigmatizado.
A dedicação de André se reflete em sua consistência e na evolução de seu estilo. Ele se destaca pela execução de movimentos complexos com os pés, utilizando o contato direto com o chão para expressar sua ancestralidade e sua conexão com a terra. “Meus movimentos são basicamente todos executados através das pernas. Faço movimento de ponta de pé, no balé, utilizam uma sapatilha de ponta, mas ele faz descalço. É contato com o chão e com a ancestralidade”, explica.
O passinho, para André, transcende a dança, sendo uma ferramenta de transformação social. “O Passinho abriu muitas portas pra mim. Ele te tira de um lugar que a sociedade te vê mal olhado. Devo tudo ao passinho”, afirma com gratidão, evidenciando o poder libertador e empoderador da arte que ele tão bem representa.





