Podcast investiga o passado e o presente de Asma Al-Assad, a ex-primeira-dama síria que sonhava em ser um ícone de estilo e modernidade, mas viu sua imagem desmoronar com a guerra.
O que sabemos sobre as esposas de ditadores? Algumas se tornam lendas por seus hábitos extravagantes, como Imelda Marcos e seus sapatos, ou por seu poder nos bastidores, como Jiang Qing, a “Madame Mao”. Mas Asma Al-Assad, casada com o ditador sírio Bashar al-Assad, quase alcançou algo raro: uma imagem pública positiva.
Em 2011, a revista Vogue a descreveu como “Rosa do deserto”, exaltando seu estilo, glamour e a promessa de modernização para a Síria. A publicação, no entanto, foi publicada pouco antes da Primavera Árabe atingir o país, desencadeando protestos e uma crise de reputação para o casal Assad e para a própria revista.
É nesse cenário complexo que o podcast “We Call Her Emma”, do jornal The Observer, mergulha na vida de Asma. A jornalista Chloe Hadjimatheou explora a dualidade da ex-primeira-dama: vítima do regime ou cúmplice ativa? O podcast, que traça um perfil detalhado de Asma, tem um apelo especial para os britânicos, já que ela nasceu e foi criada em Londres. Conforme informação divulgada pelo The Observer.
De Emma Akhras a Primeira-Dama: A Trajetória Londrina e a Mudança para a Síria
Até o casamento, Asma era conhecida em Acton, bairro londrino onde cresceu, como Emma Akhras. Filha de pais sírios, um médico e uma diplomata, ela se formou em ciência da computação e trabalhou no mercado financeiro em bancos como Deutsche Bank e J.P. Morgan. Em 2000, Emma desapareceu do trabalho para se unir a Bashar al-Assad, com quem se casaria.
Colegas descobriram que ela estava na Líbia, hospedada em propriedades do ditador Muamar Gaddafi, ao lado de seu noivo. Pouco depois, Emma/Asma mudou-se definitivamente para a Síria, abandonando sua vida anterior. A jornalista do podcast investiga se ela foi enganada ou participou ativamente das atrocidades do regime.
A Busca por uma Imagem Idealizada e o Desmoronamento com a Guerra
Nos primeiros anos como primeira-dama, Asma realizava compromissos sociais e concedia entrevistas com uma postura que a aproximava da princesa Diana, transmitindo uma imagem de suavidade e modernidade. Contudo, à medida que as promessas de abertura de Bashar al-Assad não se concretizavam, a postura de Asma também parecia mudar.
A situação se agravou com a Primavera Árabe, que evoluiu para uma guerra civil sangrenta. O conflito, que durou 13 anos e ceifou mais de meio milhão de vidas, culminou na queda do regime e na fuga da família Assad para Moscou. O podcast narra esses eventos em detalhes, explorando as conexões de Asma com as atividades do marido.
Investigação em Campo e a Complexidade de um Legado Dividido
Chloe Hadjimatheou viajou ao Líbano e à Síria para entender as ligações de Asma com o regime, entrevistando ex-funcionários, trabalhadores de orfanatos e parentes exilados. Um dos momentos mais impactantes do podcast é a entrevista com uma mulher que foi casada com um combatente rebelde aos 13 anos e, posteriormente, presa pelo governo.
O podcast “We Call Her Emma” explora os bastidores da ascensão e queda de um dos casais mais poderosos do Oriente Médio, evitando julgamentos precipitados ou deslumbramento com a imagem glamourosa da “rosa do deserto”. A investigação busca apresentar uma visão multifacetada da ex-primeira-dama.
Condenação e Exílio: O Fim de Uma Era para os Assad
Recentemente, Bashar al-Assad foi condenado à morte em seu país por crimes cometidos durante a guerra civil. Ele, Asma e seus filhos permanecem exilados na Rússia, longe do poder que um dia exerceram. A trajetória de Asma Al-Assad, de Londres à Síria, e sua complexa relação com o regime, são o foco central do podcast, que busca desmistificar a figura da ex-primeira-dama e o contexto político em que esteve inserida.





