Ativista Brasileiro Thiago Ávila Acusa: “Torturado” em Barco Militar Israelense a Caminho de Gaza, Denuncia Grupo Global Sumud Flotilla
Um grupo ativista internacional alega que o ativista brasileiro Thiago Ávila, detido por Israel enquanto se dirigia à Faixa de Gaza com ajuda humanitária, teria sido vítima de tortura em um barco da Marinha israelense. A denúncia parte da Global Sumud Flotilla, principal organização por trás das expedições com fins humanitários para o território palestino.
Thiago Ávila e outros três brasileiros foram capturados pelas forças israelenses em águas internacionais, perto da ilha de Creta, na Grécia. No total, 175 pessoas de diversas nacionalidades foram detidas durante a operação. O governo de Israel ainda não se pronunciou oficialmente sobre as acusações de tortura até o momento da publicação desta reportagem.
As informações foram divulgadas pela Global Sumud Flotilla, que também informou que Ávila e outro ativista, Saif Abu Keshek, foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon. Representantes da Embaixada do Brasil em Israel já teriam visitado o ativista. Conforme a organização, Ávila relatou ter sido arrastado de bruços e desmaiado duas vezes devido a agressões físicas durante o espancamento, apresentando marcas visíveis no rosto e queixando-se de dores. Ele estaria, segundo o grupo, em uma cela sem janelas.
Detenção e Acusações Oficiais
Autoridades israelenses informaram na sexta-feira (1º) que Thiago Ávila e Saif Abu Keshek seriam interrogados. Outros ativistas detidos foram liberados e encaminhados a um porto em Creta. O Ministério de Relações Exteriores de Israel, em uma publicação no X, classificou Ávila como “suspeito de atividade ilegal” e Abu Keshek como “suspeito de filiação a uma organização terrorista”, afirmando que Israel “não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza”.
Intervenção do Itamaraty e Apoio Internacional
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Itamaraty, divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol condenando o que chamou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais” pelo governo de Israel. A nota exige o retorno imediato de Ávila e Abu Keshek com garantias de segurança.
A ação é descrita como “flagrantemente ilegal” pelas autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, e uma afronta ao direito internacional. O Itamaraty e o governo espanhol afirmam que a situação é “acionável em cortes internacionais e configura delito em nossas respectivas jurisdições”.
Histórico de Ativismo e Detenções
Thiago Ávila já possui um histórico de envolvimento em iniciativas semelhantes. Ele foi preso por Israel em duas ocasiões anteriores em ações que visavam levar ajuda humanitária para Gaza. A Global Sumud Flotilla também relatou que representantes da embaixada brasileira foram impedidos de portar celulares durante a visita consular a Ávila.
Bloqueio Naval e Ajuda Humanitária
A detenção ocorre em um contexto de forte restrição de acesso à Faixa de Gaza, onde o bloqueio naval imposto por Israel é um ponto central de tensão. A Global Sumud Flotilla argumenta que suas missões são de cunho puramente humanitário, buscando levar suprimentos essenciais para a população civil palestina, que enfrenta graves dificuldades.





