Biólogo critica duramente a saga da baleia na Alemanha, apontando falhas graves na operação de resgate.
A baleia que mobilizou a Alemanha e o mundo nas últimas semanas pode ter tido um fim trágico, segundo a opinião de diversos especialistas europeus. A operação para retirá-la de um banco de areia e devolvê-la ao mar do Norte foi descrita como um verdadeiro desastre.
O professor Peter Madsen, do departamento de biologia da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, expressou forte descontentamento com a missão. Ele acredita que a baleia, apelidada de Timmy, provavelmente morreu após o resgate, que ele considera uma “estúpida missão”.
Madsen, que é especialista em monitoramento animal, argumenta que o animal foi maltratado durante o reboco de dois dias. Ele sugere que a baleia deveria ter sido deixada em paz para morrer naturalmente. A falta de dados de rastreamento pós-liberação é outro ponto criticado pelo biólogo, que teme que os responsáveis aleguem um milagre para justificar o sucesso da operação.
Críticas contundentes à operação de resgate da baleia
A intervenção para salvar Timmy foi resultado de hesitação das autoridades alemãs e forte pressão popular. Uma iniciativa privada, financiada por dois milionários alemães, obteve permissão para realizar o resgate, levando a baleia em uma balsa especial até o mar aberto.
No entanto, a operação falhou em cumprir as três condições impostas pelo Ministério do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Essas exigências incluíam garantir que o animal não sofresse, registrar a operação em vídeo e monitorar Timmy após sua liberação.
O registro completo da missão não foi divulgado, a baleia se debateu violentamente contra as paredes da balsa, e os dados do GPS instalado em seu dorso foram fornecidos apenas uma vez por dia na última semana. A falta de dados confiáveis levanta sérias dúvidas sobre o sucesso do resgate.
Tecnologia de rastreamento questionada e custos elevados
Peter Madsen contesta as explicações sobre a falha no rastreamento. Ele afirma que existem rastreadores comerciais projetados especificamente para baleias, capazes de fornecer a posição GPS e o comportamento de mergulho do animal de forma confiável.
A especulação de que equipamentos para monitorar cachorros foram utilizados é vista como absurda pelo especialista. Além disso, a alegação de que o dispositivo transmitia sinais vitais é descartada por Madsen, que esclarece que não existem rastreadores comerciais com essa capacidade para baleias.
O biólogo também refuta a ideia de que longos mergulhos de Timmy impediram o rastreamento. Ele explica que baleias-jubarte geralmente mergulham por cerca de dez minutos, e um localizador de qualidade permitiria acompanhar todo o trajeto do animal a cada dez minutos.
Investimento questionável e alternativas para conservação marinha
Atualmente, mais de cem baleias, incluindo jubartes, são monitoradas globalmente com sucesso, tornando a operação alemã ainda mais questionável em termos de competência. O ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental já avalia uma ação legal contra os responsáveis pela missão.
O resgate custou cerca de € 1,5 milhão (R$ 8,6 milhões). Madsen sugere que esse valor seria mais bem empregado na remoção de redes de pesca, que representam uma ameaça significativa para as baleias, como evidenciado pelo fato de Timmy ter sido encontrado com uma rede emaranhada em sua boca em um encalhe anterior.
Local de liberação criticado e a politização do caso
Daniela von Schaper, especialista do Greenpeace, criticou o local de liberação da baleia, próximo a Skagen, na Dinamarca, uma área de intenso tráfego de navios. Ela considera a decisão “muito grave” e uma “péssima decisão”.
O Greenpeace, que inicialmente acompanhou as tentativas de resgate, se posicionou contra a remoção quando ficou claro que Timmy estava debilitado e buscando descanso. A ONG e seus integrantes se tornaram alvo de ataques de diversos grupos.
O caso da baleia se tornou um fenômeno midiático, mas também uma plataforma para discursos de ódio e opiniões inflamadas. Madsen lamenta que a oportunidade de discutir a proteção dos oceanos tenha sido ofuscada por debates pessoais.
O biólogo finaliza refletindo sobre a dificuldade humana em aceitar a morte natural dos animais. “A maioria das pessoas não se sente confortável com o fato de que os animais morrem e que, às vezes, essa morte leva tempo”, conclui Madsen, ressaltando que a morte é parte da vida.





