Análise Sugere Que Bloqueio Econômico Pode Ser a Chave Para Fim Rápido do Conflito
Um bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a navios que entram ou saem de portos iranianos entrou em vigor, marcando uma escalada na pressão sobre o Irã. A estratégia visa sufocar a receita do país proveniente da venda de petróleo, em um momento em que a economia iraniana já se encontra em situação precária. Relatos indicam que os bombardeios intensos, iniciados há mais de seis semanas pelos EUA e Israel, levaram o regime iraniano ao limite.
Apesar de sofrer perdas significativas em suas forças armadas, o Irã ainda possui mísseis e drones capazes de fechar o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio global de energia. Esse controle sobre o estreito tem sido a principal arma de Teerã diante da escassez de petróleo nos mercados internacionais. No entanto, o bloqueio americano pode reverter esse cenário, impactando diretamente a capacidade do Irã de sustentar sua economia e, consequentemente, sua capacidade de prolongar o conflito.
A análise, divulgada por Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution, sugere que a pressão econômica pode ser o catalisador necessário para forçar o Irã a sentar-se à mesa de negociações. Essa perspectiva surge após o fracasso das recentes conversas entre EUA e Irã no Paquistão, que deixaram um frágil cessar-fogo em xeque, com ambos os lados demonstrando pouca disposição para ceder. Conforme informação divulgada por Robin Brooks, em uma publicação no Substack, a estratégia visa pressionar a “máquina de dinheiro” iraniana, levando a economia a uma “queda livre” e incentivando os líderes iranianos a negociarem de fato.
Impacto Econômico Devastador Previsto
Brooks reconhece que o regime iraniano pode não se importar com as dificuldades enfrentadas pela população devido ao bloqueio, e a duração exata necessária para forçar negociações ainda é incerta. No entanto, ele prevê um colapso econômico iminente: “À medida que as exportações de petróleo do Irã colapsarem, não haverá dinheiro para importações, então a atividade econômica desmorona, a moeda entra em uma espiral de desvalorização e a hiperinflação se instala”.
Os sinais de hiperinflação já são visíveis. Relatos de moradores em Teerã e outras cidades indicam um aumento de cerca de 40% em alguns preços desde o início da guerra. Paralelamente, o rial iraniano já desvalorizou 8% frente ao dólar no mercado paralelo. Brooks expressou convicção de que o regime iraniano retornará às negociações, afirmando: “Não tenho a menor dúvida” sobre o impacto do bloqueio.
Turbulência nos Mercados de Energia Controlável
Embora a interrupção do fluxo de petróleo iraniano possa gerar turbulência nos mercados de energia, Brooks destaca que o Irã é um fornecedor relativamente pequeno. A redução de sua produção não deve elevar o preço do Brent muito acima de US$ 120 por barril. Na segunda-feira, o Brent já havia subido 6%, para US$ 100,88, após um avanço de 8% anteriormente. Segundo a análise, as vantagens do bloqueio superam as desvantagens, e o impacto no petróleo é um risco gerenciável.
Alternativa Menos Drástica que a Guerra Total
O objetivo principal do bloqueio naval, conforme Brooks, é “encerrar esta guerra mais rapidamente, levando os aiatolás à mesa de negociações de boa-fé”. Essa medida representa uma alternativa menos drástica do que o envio de tropas terrestres americanas para controlar o Estreito de Ormuz e está muito aquém das ameaças anteriores de Donald Trump de bombardear o Irã “de volta à Idade da Pedra”.
Miad Maleki, conselheiro sênior da Foundation for Defense of Democracies, calculou que o bloqueio naval causará ao Irã perdas diárias de cerca de US$ 435 milhões, totalizando US$ 13 bilhões por mês. Maleki afirmou em uma publicação que “o rial entra em colapso terminal. As alternativas do Irã fora do Estreito conseguem substituir menos de 10% do fluxo do Golfo. O bloqueio torna a continuidade da resistência economicamente impossível”.





