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Bolívia: Congresso prorroga estado de emergência por 90 dias em meio a temores de retomada de protestos e crise econômica

Congresso da Bolívia amplia estado de emergência por mais 90 dias, preocupado com nova onda de protestos

O Congresso da Bolívia aprovou a extensão do estado de emergência por mais 90 dias. A decisão, tomada em sessão pública, reflete a preocupação das autoridades com a possibilidade de uma retomada dos protestos que paralisaram o país anteriormente.

A medida inicial foi decretada em junho pelo presidente Rodrigo Paz, após 53 dias de manifestações e bloqueios de rodovias. Esses atos foram promovidos por trabalhadores, indígenas e camponeses ligados ao ex-presidente Evo Morales, impactando significativamente a economia nacional.

As manifestações tiveram como estopim a grave crise econômica, a pior em quatro décadas, e a distribuição de gasolina de baixa qualidade. Rapidamente, o foco dos protestos mudou para a exigência da renúncia do presidente Paz, que assumiu o cargo em novembro do ano passado. Conforme informação divulgada pela AFP, o Congresso estendeu o estado de emergência após solicitação do governo, que alegou um cenário político e social complicado.

Origens e Fim dos Protestos Anteriores

O governo, liderado por Rodrigo Paz, conseguiu um acordo crucial com a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB) no final de junho. Este acordo foi um passo importante para encerrar os protestos que assolavam o país. Pouco depois, o ex-presidente Evo Morales anunciou a suspensão dos últimos bloqueios de rodovias que ainda persistiam em Cochabamba.

Após a assinatura do acordo que levou ao fim dos protestos, Paz declarou o estado de emergência. Essa declaração conferiu ao presidente ferramentas constitucionais mais amplas para lidar com manifestações, incluindo a possibilidade de uso das forças militares para desobstruir vias e restaurar a ordem pública.

Justificativa para a Prorrogação do Estado de Emergência

O vice-presidente e presidente do Congresso, Edmand Lara, anunciou a prorrogação do estado de emergência, que originalmente teria validade de 90 dias e expiraria em 18 de agosto. A solicitação de extensão foi feita pelo governo, que argumentou a necessidade de manter a estabilidade diante de ameaças de novas mobilizações.

Segundo o ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, o objetivo da medida é **garantir a livre circulação** e assegurar a **normalização da atividade econômica**. A pasta do Interior relatou a existência de “ameaças de reativação e articulação de bloqueios, marchas e paralisações”, além de convocações para assembleias e mobilização de grupos sociais nos próximos dias.

Causas Profundas do Conflito Social

O conflito entre a população e o governo teve início com a decisão abrupta do presidente Paz de cortar os subsídios de combustíveis. Essa medida visava reduzir o déficit fiscal do país, após negociações com o Fundo Monetário Internacional. A redução dos subsídios gerou insatisfação generalizada.

Camponeses, produtores de coca e caminhoneiros têm manifestado a possibilidade de retomar os protestos devido à **persistente escassez de combustíveis**. A falta de acesso a combustíveis a preços acessíveis impacta diretamente a economia e o cotidiano de diversos setores da sociedade boliviana.

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