Brasil e mais 11 nações exigem libertação imediata de ativistas e classificam detenções como violação do direito internacional.
O Brasil, em conjunto com outros 11 países, expressou forte repúdio à interceptação da Flotilha Global Sumud por forças israelenses. Em nota conjunta, os ministros das Relações Exteriores condenaram veementemente a ação, que resultou na detenção de 175 ativistas de diversas nacionalidades, incluindo quatro brasileiros. A flotilha tinha como objetivo levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
A declaração conjunta, assinada também por Turquia, Jordânia, Mauritânia, Paquistão, Espanha, Malásia, Bangladesh, Colômbia, Maldivas, África do Sul e Líbia, manifesta profunda preocupação com a segurança dos civis detidos. Os países instam as autoridades israelenses a garantirem a liberação imediata de todos os envolvidos.
A nota conjunta reforça que os ataques e as detenções configuram **flagrantes violações do direito internacional e do direito humanitário**. Os signatários conclamam a comunidade internacional a cumprir suas obrigações, protegendo civis e assegurando a responsabilização por tais atos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (30).
Quem são os brasileiros detidos na flotilha?
Entre os ativistas capturados está Thiago Ávila, que já havia sido detido por Israel em outras duas ocasiões em missões semelhantes. Em uma das vezes, familiares denunciaram maus-tratos e ameaças. Na missão mais recente, Ávila integrava o comitê diretor internacional da flotilha. Os outros brasileiros detidos são Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério.
Amanda Marzall, conhecida como Mandi Coelho, é militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal. Leandro Lanfredi é petroleiro e diretor sindical. Thainara Rogério possui dupla nacionalidade, brasileira e espanhola, e estava em um barco com uma delegação catalã. A missão da Global Sumud Flotilla partiu de Catânia, na Itália, no último domingo (26).
Israel defende a ação e acusa ativistas
O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou os ativistas como “provocadores profissionais” e afirmou que suas forças agiram dentro da lei. Em comunicado divulgado no X, o órgão declarou que a ação foi necessária para evitar o descumprimento de um bloqueio legal e em conformidade com o direito internacional, citando o risco de escalada do conflito. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, acusou os participantes da flotilha de serem apoiadores do Hamas, afirmando nas redes sociais que “nenhum navio e nenhum apoiador do Hamas alcançou nosso território nem mesmo nossas águas territoriais”.
Reações internacionais divididas: apoio e condenação
Enquanto o Brasil e outros 11 países condenam a ação, os Estados Unidos manifestaram apoio a Israel. Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado americano, condenou a iniciativa como um apoio ao Hamas e espera que aliados tomem “medidas enérgicas contra essa manobra política inútil”. Por outro lado, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, condenou a interceptação e exigiu a liberação imediata de cidadãos italianos, considerados “detidos ilegalmente”.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou a ação israelense como ilegal, afirmando que Israel viola o direito internacional ao atacar uma flotilha civil em águas internacionais. Ele pediu que a União Europeia congele relações bilaterais e exija respeito ao direito marítimo. Alemanha e Itália, em nota conjunta, expressaram preocupação e pediram “pleno respeito ao direito internacional” e o fim de “ações irresponsáveis”, sem mencionar Israel diretamente.





