Brasil e Camboja estreitam laços contra o tráfico humano e golpes eletrônicos, mas cooperação carece de recursos financeiros.
Um memorando de entendimento foi elaborado entre Brasil e Camboja com o objetivo de combater o tráfico internacional de pessoas e os crescentes golpes eletrônicos. A iniciativa visa formalizar a colaboração entre as forças policiais dos dois países, um passo importante na luta contra crimes transnacionais.
A cooperação já existe de forma ativa, com foco em golpes eletrônicos e tráfico humano, conforme relatado pelo ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra. No Brasil, o processo está em análise no Ministério da Justiça e Segurança Pública, que, no entanto, não comentou detalhes por se tratar de um processo em andamento.
A Policia Federal, por sua vez, informou que a responsabilidade pela cooperação internacional e a assinatura de tais acordos reside no ministério. Documentos indicam que esses memorandos visam a cooperação contra o crime organizado e a segurança interna, sem implicação de transferência de recursos financeiros entre as nações, conforme divulgado pela pasta da Justiça.
Camboja se torna principal destino de vítimas brasileiras de tráfico em 2025
Dados preocupantes revelam que o Camboja se consolidou como o principal destino de vítimas de tráfico humano oriundas do Brasil em 2025. Dos 84 casos registrados naquele ano, impressionantes 44 tiveram como destino o país asiático, evidenciando a urgência da cooperação bilateral.
As vítimas são atraídas por meio de falsas promessas de empregos com alta remuneração, que incluem acomodação, alimentação e passagens aéreas. Contudo, ao chegarem ao destino, seus passaportes são retidos, e são forçadas a trabalhar em jornadas exaustivas, realizando golpes eletrônicos.
Muitos relatos dão conta de episódios de tortura, incluindo espancamentos, choques elétricos, privação de alimentos e assédio sexual. O Camboja é reconhecido como um ponto crítico para o tráfico de pessoas, e o país tem intensificado a repressão a complexos de golpe, locais onde vítimas são mantidas em cativeiro para a execução de fraudes.
Cooperação diplomática e ações de repressão no Camboja
Segundo o ministro cambojano, a cooperação com o Brasil já tem gerado resultados práticos, com coordenação em esforços conjuntos contra crimes de golpe online, repatriação de cidadãos brasileiros e auxílio a casos envolvendo brasileiros detidos. A embaixadora do Brasil no Camboja, Vivian Sanmartin, e o vice-primeiro-ministro cambojano, Sar Sokha, reuniram-se em agosto para discutir o tema.
O Itamaraty reafirma que o combate ao tráfico de pessoas é uma prioridade da política externa brasileira, tendo sido discutido em encontros diplomáticos recentes, como a visita do chanceler Mauro Vieira à Tailândia. O tema é frequentemente abordado em contatos com países onde há registros de redes de tráfico que aliciam brasileiros.
Ofensiva cambojana resgata milhares e fortalece legislação
A ofensiva do Camboja contra os complexos de golpe, entre julho de 2025 e o mesmo mês de 2026, resultou na investigação de 751 endereços e no fechamento de 605. Mais de 21,6 mil estrangeiros de 38 nacionalidades foram resgatados e tiveram sua repatriação processada. Além disso, 388 casos de golpes eletrônicos estão em tramitação judicial.
O país asiático também fortaleceu seu arcabouço legal com a **Lei de Combate a Golpes Viabilizados por Tecnologia**. A campanha tem mirado nos mentores e nas redes financeiras por trás das operações, buscando rastrear e apreender os recursos obtidos com essas atividades criminosas.





