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Brasileira que denunciou Epstein vive com medo e dorme com arma após ameaças e exposição na internet

Vítimas de Jeffrey Epstein sofrem ameaças e assédio após divulgação de documentos confidenciais

Marina Lacerda, brasileira que denunciou Jeffrey Epstein por abuso sexual, vive em constante estado de medo e paranoia. Desde que sua história veio à tona, ela tem sido alvo de ameaças, assédio online e intimidação, o que a levou a dormir com uma arma em sua mesa de cabeceira.

A situação se agravou após a divulgação de milhares de documentos do Departamento de Justiça dos EUA relacionados ao caso. As informações expuseram a identidade de diversas vítimas, incluindo Lacerda, que foram chamadas de mentirosas, prostitutas e até mesmo culpas pelo que lhes aconteceu.

Essa exposição involuntária gerou um clima de perseguição, com algumas mulheres relatando ter suas casas fotografadas e carros desconhecidos parados em frente às suas residências. O caso de Lacerda e de outras 23 mulheres identificadas pela Reuters como acusadoras de Epstein ilustra o grave impacto dessas divulgações.

Ameaças e assédio se intensificam com a exposição dos arquivos

Quando Marina Lacerda tornou pública sua denúncia contra Jeffrey Epstein, as ameaças não demoraram a chegar. Um comentário em um vídeo no YouTube dizia: “Ela vai ser eliminada”. A situação piorou quando seu nome apareceu em documentos do Departamento de Justiça, expondo-a a ataques online, onde foi chamada de mentirosa e prostituta.

A filha de Lacerda, de apenas 12 anos, também foi alvo de provocações na escola, com colegas perguntando se ela era filha de Epstein. Atualmente, Lacerda vive em um condomínio fechado e afirma dormir com uma arma para se proteger, declarando: “Tenho medo de que alguém invada a casa. Estou paranoica o tempo todo.”

Governo americano se defende e admite falhas na censura

O governo americano informou que tomou medidas para proteger as informações das vítimas após a divulgação de milhões de páginas de arquivos. No entanto, admitiu que “vários milhares de documentos e mídias que podem ter incluído inadvertidamente informações de identificação de vítimas” foram retirados.

A porta-voz do Departamento de Justiça, Natalie Baldassarre, declarou que “nenhuma vítima deveria enfrentar assédio, ameaças ou intimidação após se manifestar”. Ela acrescentou que o departamento “não é culpado pela reação negativa direcionada às vítimas que voluntariamente revelaram suas identidades muito antes da publicação dos arquivos”.

Pam Bondi, ex-secretária de Justiça, reconheceu “erros de censura” em depoimento ao Congresso, delegando a responsabilidade ao seu então vice, Todd Blanche.

Vítimas optam por portar armas e buscam segurança

O assédio contra as vítimas de Epstein assumiu diversas formas, desde fotografias de suas casas até ameaças de violência. Pelo menos dez das mulheres entrevistadas pela Reuters agora possuem armas, como pistolas, tasers, spray de pimenta ou facas, ou utilizam segurança armada.

Quase todas descreveram viver em constante estado de vigilância. Quatro delas relataram ter denunciado ameaças à polícia, mas os casos não resultaram em processos por falta de identificação de suspeitos ou comprovação de crime. Outras preferiram não contatar as autoridades devido à desconfiança em relação a falhas passadas em suas denúncias.

Motivações variadas por trás das ameaças e desinformação

As motivações daqueles que ameaçam as vítimas são diversas, incluindo culpabilização da vítima e teorias da conspiração. As mulheres enfrentam críticas de todo o espectro político, sendo acusadas de buscar dinheiro ou atenção, rotuladas como prostitutas, oportunistas ou até mesmo espiãs estrangeiras.

Alguns assediadores questionam por que as vítimas voltaram a Epstein após os abusos, ou argumentam que mulheres com 18 anos ou mais na época do abuso têm argumentos fracos. Mesmo as menores de idade na época enfrentam críticas, com sugestões de que deveriam ter entendido os riscos ou culpas aos pais por não protegê-las.

Ações judiciais e o impacto duradouro do trauma

A divulgação inadequada de informações pessoais levou a ações judiciais. Uma acusadora entrou com uma ação coletiva contra o Departamento de Justiça e o Google pela “divulgação e republicação indevidas” de dados confidenciais nos arquivos de Epstein.

O processo alega que o governo “expôs aproximadamente cem sobreviventes” em violação à Lei de Privacidade de 1974. O Google, segundo a queixa, republicou os dados, “tornando-os permanentes e globalmente acessíveis”. O processo busca a remoção das informações pessoais e indenizações.

Danielle Bensky, que tinha 17 anos quando foi contratada como massagista na mansão de Epstein, relatou ter sido ameaçada pelo financista. Ela descreve a situação como destroçadora e afirma estar sempre mais cautelosa, “olhando por cima do ombro”.

Audra Lynn Fasano, ex-modelo da Playboy, também relatou ter sido estuprada por Epstein. Após ter seu nome e detalhes como ex-modelo da Playboy expostos nos arquivos, ela passou a ser vigiada por veículos desconhecidos. O departamento republicou o documento com a informação editada posteriormente.

Outra mulher, que pediu anonimato, relatou ter avistado um estranho fotografando sua casa após seu nome e o de familiares aparecerem sem edição nos arquivos, um problema que levou um mês para ser corrigido.

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