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Chico 2.0: Como o Álbum Inovador Tira Chico Buarque do Nicho da MPB e o Leva para as Quebradas Urbanas

“Chico. 2.0” é uma ousada releitura que insere o cancioneiro de Chico Buarque no universo da música urbana contemporânea, alcançando um novo público.

Um projeto ambicioso está chamando a atenção ao propor uma ponte entre o legado de Chico Buarque e as novas gerações musicais. “Chico. 2.0”, álbum que reúne artistas proeminentes do rap, trap e funk, tem o mérito de desvincular a obra do compositor carioca do tradicional nicho da MPB.

A iniciativa, que conta com a produção musical de Alê Siqueira e Felipe Poeta e a direção artística de Celso Athayde, fundador da CUFA, busca levar a riqueza das canções de Chico para o público que consome a música das ruas e das periferias no século XXI. A proposta é clara: apresentar um Chico Buarque para quem ouve hip-hop, trap e funk.

Segundo a crítica especializada, o álbum cumpre seu objetivo ao apresentar um punhado de músicas magistrais que funcionam como um portal para o universo de Chico Buarque. A iniciativa se propõe a alcançar quem, de outra forma, poderia não ter contato com a profundidade e a genialidade do compositor, conforme divulgado em análise do projeto.

Um Elenco Estelar para Reinventar Clássicos

O álbum “Chico. 2.0” ostenta um elenco impressionante, dominado por nomes fortes da cena urbana brasileira. Artistas como **Bela Maria, Budah, Dexter, Don L, Grag Queen, Julia Mestre, MC Cabelinho, MC Livinho, Maurício Fazz, Tasha & Tracie, TZ da Coronel, Vandal e Xênia França** emprestam suas vozes e estilos a canções consagradas.

A diversidade de talentos garante releituras que variam do fiel à surpreendente. A dupla **Tasha & Tracie**, por exemplo, preserva o impacto de “Deus lhe pague” com uma gravação que conta com o coro da Família Ébano. Já “Cálice”, parceria de Chico com Gilberto Gil, ganha força imperativa nas vozes de **MC Cabelinho e Xênia França**.

A Conexão entre o Passado e o Futuro da Música

O projeto “Chico. 2.0” acerta ao manter a integridade das letras e melodias originais, reconstruindo as bases musicais com uma roupagem contemporânea. Isso permite que o ouvinte perceba a força atemporal das composições de Chico Buarque, adaptadas à linguagem sonora atual.

A angústia de “Construção” é traduzida pelo canto de **Dexter, Maurício Fazz e MC Livinho**, com batidas que se distanciam do arranjo original de Rogério Duprat. “Pivete”, um samba de Chico com Francis Hime, ganha a cadência funkeada de **MC Livinho**, sem perder sua essência.

O álbum também cumpre um papel social importante. A escalação de **Grag Queen** para “Geni e o Zepelim” dá voz à comunidade LGBTQIA+, enquanto **Xênia França** reinterpreta “Olê, olá” com novos beats. **Bela Maria** traz sua cadência R&B para “Meu caro amigo”, e **Julia Mestre**, junto a **TZ da Coronel**, delicadamente aborda “João e Maria”.

Uma Nova Perspectiva para um Gênio da Música

Em “Roda viva”, **Budah** arremata o primeiro volume do projeto, mostrando como a música de Chico Buarque pode se encaixar perfeitamente no fraseado de artistas do século XXI. A crítica sugere que, se Chico Buarque tivesse nascido hoje, talvez fosse um trapper, evidenciando a universalidade de sua obra.

O sucesso de “Chico. 2.0” reside na sua capacidade de **democratizar o acesso à obra de Chico Buarque**, apresentando-a de forma acessível e relevante para um público que talvez não se conectasse com a MPB tradicional. O projeto, com um segundo volume já previsto, consolida-se como um marco na música brasileira.

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