América Latina Vira a Mesa: China Ganha Preferência Sobre os EUA em Nova Pesquisa
Uma reviravolta significativa na geopolítica latino-americana foi revelada por uma pesquisa recente, mostrando que a China agora detém uma imagem mais positiva na região do que os Estados Unidos. Este é um marco histórico, considerando a tradicional aliança pró-americana da América Latina.
A pesquisa Latinobarômetro, que abrange 17 países, aponta para uma diminuição na percepção favorável dos EUA, especialmente desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Paralelamente, a influência chinesa tem crescido, superando a americana em termos de aprovação popular.
O estudo, divulgado com exclusividade pela The Economist, também aborda a ascensão de líderes de direita na região, muitos inspirados pelo estilo de Trump, e a persistente busca por segurança e estabilidade em meio a desafios econômicos e sociais. Conforme informação divulgada pela The Economist, a pesquisa Latinobarômetro indica essa mudança de percepção.
Declínio da Imagem Americana na Região
A visão dos latino-americanos sobre os Estados Unidos piorou consideravelmente. A parcela da população com opinião favorável aos EUA caiu de 73% em 2024 para 63% na mais recente pesquisa. Esse declínio é atribuído, em parte, à postura agressiva de Donald Trump em relação à região, vista por ele como área de domínio americano.
Embora a captura de Nicolás Maduro, organizada por Trump, tenha tido alta aprovação (69%), apenas 35% acreditam que a intervenção americana trará benefícios para a Venezuela. Quase dois terços dos entrevistados desaprovam a condução das relações internacionais por Trump, evidenciando um descontentamento generalizado.
China Ascende como Potência de Influência Favorável
Pela primeira vez, a influência chinesa é vista de maneira mais favorável do que a americana na América Latina. A pesquisa aponta que 65% dos latino-americanos consideram a influência chinesa positiva, contra 57% para os Estados Unidos. Essa mudança reflete um interesse crescente nas relações comerciais e de investimento com a China.
A China tem expandido sua presença econômica na região através de investimentos em infraestrutura e acordos comerciais, o que tem sido percebido positivamente por muitos países. Essa estratégia contrasta com a abordagem mais confrontadora dos EUA sob a administração Trump.
Ascensão da Nova Direita e o Legado de Bukele
A pesquisa Latinobarômetro também destaca a popularidade de figuras como Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Sua abordagem linha-dura no combate ao crime, mesmo com controvérsias sobre o enfraquecimento de instituições democráticas, ressoa com parte da população latino-americana que anseia por segurança.
Muitos candidatos de direita na região têm adotado plataformas semelhantes, prometendo erradicar o crime e a insegurança. Esse apelo por ordem e controle tem impulsionado vitórias eleitorais de direita em diversos países, como na Colômbia e em El Salvador.
Democracia e Desafios Econômicos na América Latina
Apesar da admiração por líderes autoritários, metade dos entrevistados na pesquisa ainda acredita na democracia. O apoio às instituições democráticas se estabilizou em um patamar mais baixo após a crise econômica da década de 2010, mas permanece relevante.
A insatisfação com o funcionamento prático da democracia é generalizada, com parlamentos sendo particularmente repudiados. No entanto, a maioria ainda considera os partidos políticos essenciais para o funcionamento democrático. A economia e a segurança pública são as principais preocupações regionais, com apenas 15% considerando a situação econômica de seus países boa.
Apesar dos desafios, há um otimismo cauteloso em relação ao futuro pessoal. Enquanto apenas 36% esperam melhora econômica nacional, 52% preveem uma melhora em sua própria situação financeira, o maior percentual desde 1995, indicando a força do lar e da família como pilares na vida latino-americana.





