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Colômbia: Abelardo de la Espriella é eleito presidente e país adere à onda de ultradireita após governo de esquerda

Colômbia elege Abelardo de la Espriella e se junta à onda de ultradireita na América Latina

A Colômbia seguiu a tendência de outros países latino-americanos e elegeu Abelardo de la Espriella como seu novo presidente em uma eleição acirrada, marcada por um comparecimento recorde de eleitores. A vitória do advogado de 47 anos, que nunca ocupou um cargo público, representa uma guinada à direita após o primeiro governo de esquerda do país.

Com 99,99% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,66% dos votos, superando Iván Cepeda, candidato apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro, que alcançou 48,7%. A diferença entre os candidatos foi de menos de 300 mil votos, evidenciando a forte polarização no país. Os votos em branco somaram 1,63%.

A apuração preliminar, divulgada neste domingo (21), confirmou as tendências das pesquisas de intenção de voto. Enquanto Espriella já se declarou vencedor, Petro questionou a apuração, alegando a existência de irregularidades, uma postura similar à adotada no primeiro turno. Conforme informação divulgada pela fonte, este resultado preliminar, embora sem força jurídica, é de praxe ser reconhecido antes da contagem oficial, que geralmente coincide com a prévia.

A ascensão da ultradireita na Colômbia e na região

A eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia reflete uma onda de governos de ultradireita que tem varrido a América Latina nos últimos anos. Países como El Salvador, Argentina, Equador e Chile já haviam experimentado viradas políticas semelhantes, impulsionadas por discursos nacionalistas, promessas de segurança pública e críticas à classe política tradicional.

Espriella adotou estratégias de sucesso da ultradireita regional, como o desprezo pela classe política, a utilização de símbolos nacionalistas e a promessa de mão de ferro na segurança pública. Sua retórica agressiva, que rotulou adversários como criminosos e narcoterroristas, embora controversa, parece ter ressoado com parte do eleitorado colombiano.

O novo presidente eleito é conhecido por defender figuras polêmicas em sua carreira como advogado, incluindo paramilitares e o empresário Alex Saab, ligado ao governo venezuelano. Sua imagem pública foi construída em torno de seu sucesso financeiro, contrastando com o que ele aponta como fracasso de seus oponentes.

Repercussões e desafios pós-eleitorais

A vitória de Espriella ocorre após o primeiro governo de esquerda da Colômbia, liderado por Gustavo Petro, que chegou ao poder em 2022. A polarização política no país foi tão intensa que resultou em um comparecimento recorde, com mais de 26 milhões de colombianos participando do segundo turno das eleições.

Iván Cepeda, o candidato derrotado, ainda não reconheceu formalmente a derrota, aguardando a contagem oficial e o escrutínio. O presidente Petro, por sua vez, levantou dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, reiterando preocupações expressas anteriormente. Abelardo de la Espriella, já se declarando vencedor, agradeceu a Deus e mencionou irregularidades, como compra de votos, afirmando ter derrotado o “regime” de Petro.

Em seu discurso a apoiadores, Espriella prometeu governar para todos os colombianos e enviou um recado aos adversários para que não incitem “um incêndio social”, alertando que “não haverá um terceiro turno nas ruas”. Manifestações ocorreram em várias cidades, com confrontos registrados em Cali.

O que esperar do novo governo de Espriella

Aos 47 anos, Abelardo de la Espriella assume a presidência da Colômbia, o segundo país mais populoso da América do Sul. Seu plano de governo inclui a construção de megapresídios, a eliminação de instituições criadas pelo Acordo de Paz de 2016 e o combate enfático à esquerda. Essas propostas geram apreensão em setores da sociedade colombiana.

A frustração com o resultado eleitoral foi expressa por eleitores como Paula Mora, que teme uma nova onda de violência. Por outro lado, eleitores como Samuel Esteban, estudante de economia, apoiam Espriella pela promessa de segurança e estabilidade para o mercado, citando o receio do retorno de grupos armados no campo.

Apesar da contagem preliminar indicar a vitória de Espriella, o núcleo de campanha de Iván Cepeda mantém a esperança em um resultado diferente na contagem oficial, dada a margem mínima de diferença entre os candidatos. A polarização e a tensão política marcam o momento atual da Colômbia, com lojas e bancos reforçando a segurança em suas instalações, antecipando possíveis protestos e desordens.

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