Após terremoto, Colômbia restringe ajuda a aliados ideológicos e gera críticas internacionais. Brasil envia mantimentos.
Um terremoto de magnitude 7,4 abalou a Colômbia na segunda-feira (10), deixando um rastro de destruição e centenas de mortos. Em meio à tragédia, o governo do recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella tomou uma decisão controversa: autorizou a atuação de equipes de busca e resgate de apenas quatro países: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador.
A escolha gerou controvérsia por abranger somente nações com líderes alinhados ideologicamente ao ultradireitista colombiano, embora Bogotá negue qualquer viés político na decisão. A medida foi anunciada mais de dois dias após o tremor, quando as operações de resgate já se aproximavam do fim da janela crítica de 72 horas, período considerado crucial para salvar vidas sob os escombros.
A demora na aceitação de equipes internacionais e a restrição na escolha dos países provocaram críticas e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, relatou entraves burocráticos para o envio de suas brigadas militares de resgate. Conforme informação divulgada pela Folha, o governo brasileiro, por sua vez, prepara o envio de ajuda humanitária, focada em medicamentos, purificadores de água e alimentos, após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversar com o chanceler colombiano.
Críticas pela demora e restrição na ajuda internacional
A decisão de limitar a atuação de equipes estrangeiras a um grupo seleto de países, todos com governos de direita, gerou forte repercussão. Autoridades brasileiras ouvidas sob reserva pela Folha destacaram que, tradicionalmente, o Brasil envia equipes autônomas em missões humanitárias, sem demandar recursos adicionais dos governos locais. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também manifestou frustração, afirmando que a Cidade do México não conseguiu enviar suas brigadas militares de resgate devido a certificações adicionais exigidas por Bogotá.
Governo colombiano defende critérios técnicos e nega viés político
O diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo, justificou a escolha dos socorristas afirmando que eles cumprem “protocolos internacionais” e devem atuar junto a equipes colombianas. Ele também mencionou que foram selecionados grupos “totalmente autônomos, [que] não vão demandar recursos adicionais das administrações municipais”. O chanceler colombiano, Omar Bula, reforçou a narrativa, declarando que o governo considerou apenas a capacidade técnica e a certificação internacional das equipes, negando qualquer influência ideológica ou política na decisão.
Onda de direita e o novo governo na Colômbia
Abelardo de la Espriella assumiu a presidência da Colômbia na sexta-feira (7), representando uma nova onda de líderes de direita na América Latina. Sua ascensão ao poder contou com apoio de figuras como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Espriella, que construiu sua imagem pública com base no sucesso financeiro, adota um discurso nacionalista e promete linha dura na segurança pública. Na diplomacia, ele já anunciou a retomada das relações diplomáticas plenas com Israel, que haviam sido rompidas durante a gestão de seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro.
Brasil foca em ajuda humanitária e descarta envio de socorristas
O governo brasileiro, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está organizando o envio de ajuda humanitária para a Colômbia. Após contato telefônico entre os chanceleres dos dois países, ficou acertado o fornecimento de medicamentos, purificadores de água e alimentos, como produtos desidratados e arroz. Segundo o Itamaraty, a Colômbia não solicitou o envio de equipes de busca e resgate, apesar da oferta brasileira. A assistência de Brasília está, portanto, estruturada como ajuda humanitária, com o objetivo de ser enviada o mais rápido possível.
Balanço trágico do terremoto na Colômbia
O terremoto que atingiu a Colômbia já causou a morte de pelo menos 273 pessoas, de acordo com o boletim mais recente divulgado pelas autoridades nesta quinta-feira. Outras 377 pessoas seguem desaparecidas. As operações de busca e resgate continuam em cidades como Cali e Pereira, importantes centros urbanos e na região cafeeira do país, respectivamente. O risco de novos desabamentos ainda é uma preocupação constante para as equipes de emergência e para a população afetada pela tragédia.





