Colômbia muda rumo na segurança com promessa de “cela ou sepultura” para traficantes e apoio dos EUA.
O presidente colombiano Abelardo de la Espriella declarou uma nova postura na segurança do país, prometendo ações enérgicas contra o narcotráfico. Sua declaração “uma cela ou uma sepultura” resume a determinação em combater grupos criminosos.
Ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, Espriella anunciou o “Plan Patriota Siglo 21”. O plano visa modernizar equipamentos como aviões, radares e drones, além de aprimorar os sistemas de inteligência para intensificar a perseguição a plantações de coca, laboratórios e chefes do tráfico.
A eleição de Espriella ocorreu em um cenário de deterioração da segurança, com o aumento de grupos armados durante o governo anterior. Em 2025, a Colômbia enfrentou graves consequências humanitárias, com o Clan del Golfo e o ELN expandindo significativamente seu número de integrantes. Conforme informações da Cruz Vermelha, foi a pior crise humanitária em uma década.
O Legado do Acordo de Paz e a “Paz Total” de Petro
A atual guinada na segurança na Colômbia ocorre em um momento delicado, com a lembrança dos dez anos do acordo de paz com as Farc, assinado em 2016. O acordo, apesar de desafios na implementação, não foi um fracasso, mantendo a maioria dos ex-combatentes em programas de reintegração e criando mecanismos para o combate ao crime.
Em contrapartida, a política de “Paz Total” do ex-presidente Gustavo Petro buscou negociações amplas com diversos grupos armados. No entanto, essa abordagem produziu resultados limitados, enquanto algumas organizações se fortaleceram. Espriella iniciou seu mandato desfazendo muitos desses diálogos, retomando ordens de prisão, extradições e ofensivas militares.
Força e Negociação: Uma Dança Complexa na Colômbia
É tentador ver a mudança de governo como um abandono da paz em favor da guerra. Contudo, a história colombiana revela uma dinâmica mais complexa. Força e negociação não são, necessariamente, opostos, mas sim ferramentas cujo sucesso depende de como, quando e contra quem são aplicadas.
A experiência do ex-presidente Álvaro Uribe também serve de lição. Sua política de “Segurança Democrática”, com forte cooperação dos EUA, reduziu homicídios e sequestros e enfraqueceu as Farc. No entanto, nem a força bruta nem os investimentos bilionários do “Plan Colombia” erradicaram o narcotráfico, e sua gestão deixou um rastro de violações de direitos humanos.
A Nova Fronteira da Segurança Colombiana
A experiência da Colômbia demonstra que o uso da força pode diminuir a violência, mas não garante a vitória definitiva na guerra contra as drogas. Dez anos após o acordo de paz de Cartagena, o país volta a testar os limites dessa abordagem.
O “Plan Patriota Siglo 21” sinaliza claramente a direção escolhida pelo novo presidente, com foco em modernização e ações repressivas. A grande questão agora é quais resultados concretos essa nova estratégia de força conseguirá produzir para a segurança nacional.





