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Copa do Mundo 2026: Protestos simultâneos no México ameaçam ofuscar abertura do torneio no Estádio Azteca

Protestos simultâneos no México ameaçam ofuscar abertura da Copa do Mundo 2026 no Estádio Azteca

A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2026, que acontecerá nesta quinta-feira (11) no icônico Estádio Azteca, na Cidade do México, está sob a sombra de protestos organizados por diversos movimentos sociais. A expectativa é que familiares de desaparecidos, sindicatos e organizações camponesas realizem marchas simultâneas em direção ao estádio, buscando visibilidade para suas causas.

A possibilidade de as manifestações roubarem os holofotes da festa esportiva levou o governo federal a suspender aulas e autorizar o trabalho remoto para servidores públicos na capital. O governo da cidade, por sua vez, reforçou o esquema de segurança ao redor do estádio, classificado como uma “instalação de segurança nacional”.

Apesar das medidas, os grupos organizados não demonstram intenção de recuar. O principal foco de preocupação para as autoridades é a Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), cujos milhares de membros estão em greve e acampados próximo ao Zócalo, a cerca de 10 km do estádio, desde o início de junho. Conforme informações divulgadas, o governo busca garantir a segurança do evento sem reprimir os manifestantes.

CNTE lidera mobilização por direitos trabalhistas e previdenciários

A principal reivindicação dos professores da CNTE é a retomada das aposentadorias públicas para a categoria, revertendo o sistema privado implementado no final da década de 1990. Embora o partido da presidente Claudia Sheinbaum, o Morena, tenha criticado o sistema em seu período de oposição, o governo atual considera a revogação economicamente inviável. A mobilização ganhou força no final de 2024, culminando na greve atual.

Famílias de desaparecidos buscam visibilidade internacional

Além dos professores, familiares de pessoas desaparecidas também planejam protestos. Vanessa Gámez, mãe de Ana Amelí García Gámez, que desapareceu em julho de 2025, expressou o desejo de que o mundo veja a realidade do país. “Queremos que o mundo veja que, enquanto lá dentro comemoram os jogos da Copa do Mundo, lá fora lamentamos o desaparecimento de um membro da família”, afirmou à rádio. O México enfrenta um problema crônico de desaparecimentos, com 132,5 mil casos registrados, segundo o Sistema Nacional de Segurança Pública.

Governo busca conciliação e garante controle da situação

A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que não há preocupações com a segurança do evento, declarando “Tudo sob controle”. Ela expressou o desejo de que os protestos não ofusquem a Copa do Mundo e que a cerimônia ocorra de forma “tranquila, pacífica e serena”. No entanto, a presidente também indicou que, caso o evento no Zócalo, que sediará a “fan fest” oficial da Fifa, seja inviabilizado pelos protestos, haverá outros 18 locais na cidade onde a partida poderá ser assistida gratuitamente.

Copa do Mundo como vitrine para causas sociais

Hezer Eufragio, membro da Direção Política da CNTE, reconhece que a Copa do Mundo serve como uma plataforma para dar visibilidade ao movimento. “Aproveitamos a situação da Copa do Mundo para dar visibilidade ao problema”, declarou à Folha, ressaltando que “Neste momento, o México é a vitrine do mundo, porque todos os olhares estão voltados para o palco que a Fifa planejou aqui em nosso país.” A popularidade da presidente Sheinbaum, embora ainda alta, caiu sete pontos desde maio do ano passado, refletindo, em parte, a fragilidade econômica do país para manter programas sociais.

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