“Coyote Vs. Acme” encanta com humor e nostalgia, mas quase foi engavetado pela Warner Bros.
A espera de três anos por “Coyote Vs. Acme” valeu a pena. O filme, que mistura animação com atores reais, finalmente chegou aos cinemas, trazendo de volta o eterno embate entre o Coiote e o Papa-Léguas em um formato inovador e divertido.
A produção conta a história de Wile E. Coyote, cansado de ser derrotado pelos produtos falhos da Acme. Ele decide processar a empresa, com a ajuda do advogado Kevin Avery, interpretado por Will Forte. A trama se desenvolve como um filme de tribunal, mas com o humor surreal característico dos Looney Tunes.
Apesar da qualidade e do potencial de diversão para todas as idades, “Coyote Vs. Acme” esteve perto de nunca ser lançado. A decisão da Warner Bros. Discovery de arquivar o filme como parte de uma estratégia fiscal chocou o diretor Dave Green e os fãs, que se mobilizaram para garantir sua exibição. Conforme informações divulgadas pelo g1, a pressão da indústria e a campanha dos admiradores foram cruciais para que o longa fosse negociado com a Ketchup Entertainment.
Uma Batalha Judicial Looney
A premissa de “Coyote Vs. Acme” é simples, mas eficaz: o Coiote, após mais um plano frustrado e doloroso por conta de um produto defeituoso da Acme, decide buscar justiça nos tribunais. Ele contrata o advogado Kevin Avery (Will Forte), que se vê em meio a um caso complexo contra a poderosa corporação.
Para complicar, o ex-chefe de Kevin, Buddy Crane (John Cena), assume a defesa da Acme. A batalha judicial se desenrola com reviravoltas, segredos e artimanhas típicas do universo dos Looney Tunes, garantindo momentos de pura comédia e tensão.
O roteiro, com colaboração de James Gunn, conhecido por “Guardiões da Galáxia”, mescla com maestria os elementos clássicos de filmes de tribunal com o humor acelerado e surreal dos desenhos animados. A interação entre os atores e os personagens animados é um dos pontos altos, com efeitos visuais competentes que criam uma atmosfera crível, apesar da fantasia.
A Salvação da Ketchup Entertainment
O caminho de “Coyote Vs. Acme” até as telonas foi turbulento. O filme, pronto desde 2023, foi considerado para arquivamento pela Warner Bros. Discovery, juntamente com outros projetos como “Batgirl”. A justificativa foi uma estratégia de abatimento fiscal, que visava reduzir impostos sobre o estúdio.
A notícia causou revolta entre cineastas e fãs, que iniciaram uma campanha nas redes sociais. A mobilização surtiu efeito, e a Warner Bros. abriu negociações com outros distribuidores. Após tentativas frustradas com gigantes como Netflix e Amazon, a independente Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por um valor estimado entre US$ 50 milhões e US$ 75 milhões, conforme especulações.
A aquisição pela Ketchup Entertainment foi um respiro para o filme e para os admiradores da animação. “Seria uma pena se o grande público não tivesse a oportunidade de ver e curtir essa obra”, ressalta o texto original da pauta, evidenciando o valor nostálgico e de entretenimento da produção.
Nostalgia e Referências Para Todas as Gerações
“Coyote Vs. Acme” acerta em cheio ao resgatar a essência dos Looney Tunes, agradando tanto aos fãs de longa data quanto a novas audiências. A presença de personagens icônicos, como Pernalonga, Patolino e Piu-Piu, em participações pontuais ou mais elaboradas, adiciona um tempero especial.
O filme também reserva uma curiosa homenagem ao ator Peter Lorre, conhecido por seus papéis em clássicos do cinema. Essa referência, embora sutil, é um aceno aos cinéfilos e enriquece a experiência de quem busca mais do que apenas diversão. A atuação de Will Forte como o advogado idealista e a veia cômica de John Cena como o antagonista são outros destaques.
Com um desfecho que mescla previsibilidade e emoção, “Coyote Vs. Acme” prova que os personagens clássicos dos Looney Tunes ainda possuem fôlego. A produção demonstra que, com um bom projeto e roteiro bem construído, a magia da animação continua viva, capaz de divertir e encantar o público, seja na telinha ou na telona.





