Lula e Bachelet em reunião estratégica para salvar candidatura à ONU em meio a turbulência
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, em um momento crítico para a candidatura da chilena ao cargo de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A postulação de Bachelet tem enfrentado dificuldades significativas, com resultados abaixo do esperado em duas rodadas de consultas no Conselho de Segurança da ONU. A reunião com Lula buscou avaliar os próximos passos e a viabilidade da candidatura.
Fontes próximas à candidatura indicam que a estratégia agora é aguardar novas consultas informais, com a expectativa de que a França, que preside o Conselho em setembro, convoque mais rodadas de votação para clarear o cenário. Conforme informações divulgadas, o resultado dessas futuras consultas será crucial para definir o futuro da candidatura de Michelle Bachelet à ONU.
Apoio do Brasil e México em jogo
Michelle Bachelet conta com o apoio formal dos governos do Brasil e do México. No entanto, o Chile retirou seu endosso após a ascensão do direitista José Antonio Kast ao poder. A passagem de Bachelet pelo México, onde se encontrou com a presidente Claudia Sheinbaum, gerou questionamentos sobre o comprometimento mexicano, especialmente após um atraso de dois dias para ser recebida e declarações de Sheinbaum sobre a necessidade de avaliar as “possibilidades” da candidata.
Histórico e Ambições da Candidatura
Bachelet possui um extenso currículo, tendo sido presidente do Chile por dois mandatos (2006-2010 e 2014-2018). Além disso, ocupou cargos ministeriais importantes e teve uma carreira proeminente na própria ONU, como diretora-executiva da ONU Mulheres e Alta Comissária para os Direitos Humanos. Brasil e México defendem a importância de uma representante latino-americana e mulher no comando da ONU, um posto que nunca foi ocupado por alguém da região ou do gênero feminino desde a fundação da organização em 1946.
Resultados das Consultas e Obstáculos Iniciais
As primeiras pesquisas secretas no Conselho de Segurança apresentaram resultados mistos. Na primeira rodada, Rebeca Grynspan, da Costa Rica, obteve a melhor avaliação, seguida por Carolyn Birkett, da Guiana, e Rafael Grossi, da Argentina. Michelle Bachelet ficou em quarto lugar, com 6 votos de incentivo, 5 de desencorajamento e 4 neutros. Uma segunda consulta, semanas depois, mostrou uma queda acentuada para Bachelet, com apenas 2 encorajamentos, 6 votos negativos e 7 neutros, enquanto Birkett se destacou.
A estratégia de “esperar para ver” e o veto americano
Integrantes do governo brasileiro defendem a estratégia de que todos os candidatos perderam votos entre as rodadas e que o quadro real só se definirá quando for revelado quais votantes são membros permanentes do Conselho de Segurança, estes sim com poder de veto. O principal obstáculo para a candidatura de Bachelet, segundo a Folha, são os Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, que não atendeu a um pedido do Brasil para receber a candidata.
O que esperar das próximas etapas
A expectativa é que novas rodadas de votações informais ocorram em setembro, sob a presidência francesa do Conselho de Segurança. A análise dos resultados dessas próximas consultas será fundamental para entender a real força da candidatura de Michelle Bachelet e se o apoio de Brasil e México será suficiente para superar os desafios e as resistências, especialmente de membros permanentes com poder de veto.





