Chegada de navio russo com petróleo em Cuba marca reviravolta após bloqueio de Trump; Rússia promete mais apoio
Após três meses sob um rigoroso bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos, Cuba recebeu nesta segunda-feira (30) um cargueiro russo carregado com petróleo bruto. A Rússia confirmou o recebimento da carga e sinalizou a intenção de manter o apoio ao regime cubano com novos carregamentos, em um cenário que indica uma possível mudança de estratégia por parte da administração Trump.
A decisão de permitir a chegada do navio, chamado Anatoly Kolodkin e que transportava 730 mil barris de petróleo, ainda não tem explicações claras por parte da Casa Branca. O bloqueio, que vinha ameaçando países exportadores com tarifas, vinha sufocando a ilha caribenha, gerando apagões, escassez de gasolina e deterioração de serviços básicos, atraindo críticas internacionais, inclusive da ONU, por configurar uma crise humanitária.
A notícia da chegada do navio e a promessa de continuidade do apoio russo foram divulgadas pelo Kremlin, que considera seu dever apoiar “países amigos” como Cuba. A situação em Cuba, descrita como “desesperadora” pelas autoridades cubanas, levou o presidente Donald Trump a expressar, no domingo (29), uma aparente flexibilização em sua política, afirmando que não teria “problema nenhum” em permitir que outros países enviassem petróleo para a ilha, citando explicitamente a Rússia.
Mudança de postura americana e promessa russa de mais apoio
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, confirmou que a questão do envio de petróleo para Cuba foi discutida com autoridades americanas. “Estamos satisfeitos que esta carga de derivados de petróleo chegue à ilha, ou melhor, que já tenha chegado”, declarou Peskov, ressaltando que a Rússia considera um dever apoiar “países amigos” como Cuba. Ele ainda indicou que a situação “desesperadora” enfrentada pelos cubanos não deixa a Rússia indiferente e que “vamos continuar trabalhando nisso”, sinalizando a possibilidade de novos envios.
Bloqueio americano agrava crise humanitária em Cuba
O bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos desde janeiro vinha causando sérios transtornos em Cuba, levando a apagões diários, grave escassez de gasolina, aumento de preços e deterioração do atendimento médico. A política atraiu críticas internacionais, inclusive das Nações Unidas, que apontam para uma crise humanitária na ilha. Funcionários da Casa Branca, por outro lado, vinham ameaçando publicamente o regime cubano, pressionando pela remoção de Miguel Díaz-Canel do poder.
Ameaças e preparativos militares em meio à tensão
Em meio à escalada de tensões, Donald Trump chegou a expressar publicamente, neste mês, que acreditava que “terá a honra de tomar Cuba” e sugeriu a possibilidade de um ataque militar após a guerra no Irã. O secretário de Estado, Marco Rubio, também afirmou que a Casa Branca deseja novas lideranças em Cuba, argumentando que a economia da ilha não pode mudar sem uma alteração no sistema de governo. Em resposta, autoridades cubanas, como o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernáandez de Cossio, declararam que o país se prepara para uma possível agressão militar dos EUA, mas que se mantém disposto a negociar com Washington.
A chegada do navio russo, segundo analistas, pode prover a Cuba suprimento de combustível para pelo menos algumas semanas, aliviando momentaneamente a severa crise energética que afeta a ilha há três meses, conforme relatado pelo líder cubano Miguel Díaz-Canel.





