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Cubanos em Desespero: Falta de Medicamentos Essenciais Leva ao Mercado Ilegal e Crise Humanitária

Crise de Saúde em Cuba: Medicamentos Escassos Levam Povo ao Mercado Paralelo e Desespero

Em Cuba, a falta de medicamentos essenciais transformou o acesso à saúde em um pesadelo para muitos cidadãos. A situação se agrava com a dependência crescente do mercado ilegal, onde os preços exorbitantes tornam o tratamento um luxo para a maioria.

A escassez crônica de remédios básicos e insumos hospitalares tem levado cubanos a buscar alternativas precárias, muitas vezes sem garantia de origem ou segurança. A crise afeta diretamente a qualidade de vida e a sobrevivência de doentes crônicos e pessoas com condições médicas graves.

Esta reportagem detalha os desafios enfrentados pela população cubana, com depoimentos que revelam a dura realidade de ter que escolher entre alimentação e medicação, e a crescente privatização forçada do sistema de saúde. As informações são baseadas em relatos de moradores e dados divulgados em reportagens recentes.

A Luta Diária de Eduardo Moré: Hipertensão e a Escolha Cruel entre Comer e Medicar-se

Eduardo Moré, um aposentado de 57 anos em Havana, exemplifica a gravidade da crise de saúde em Cuba. Portador de HIV, insuficiência renal e hipertensão, ele depende de uma pensão mensal de 1.500 pesos (cerca de R$ 15) do governo. Enquanto os medicamentos para HIV e a hemodiálise são fornecidos pelo Estado, o tratamento para hipertensão e retenção de líquidos se tornou um fardo financeiro insuportável.

Os remédios essenciais, Captopril e Furosemida, custam cerca de 500 pesos cada no mercado paralelo, consumindo dois terços de sua renda mensal. “Tenho que escolher entre comprar os medicamentos ou me alimentar. Os dois não dá”, desabafa Moré, evidenciando a escolha cruel imposta pela escassez.

Moré também sofre com os constantes apagões, que chegam a durar 15 a 20 horas por dia, afetando o abastecimento de água e a manutenção de equipamentos médicos. Ele lamenta o impacto do bloqueio econômico imposto pelos EUA, afirmando que “quem sofre é o povo”.

Mercado Paralelo de Medicamentos: Uma Necessidade Criada pela Escassez

As lojas clandestinas de medicamentos se multiplicaram em Havana, oferecendo remédios, produtos de higiene e insumos hospitalares trazidos do exterior. Para muitos cubanos, esses pontos de venda se tornaram a principal, e por vezes única, forma de acesso a tratamentos de saúde. A falta de garantia de origem e a ausência de necessidade de receita médica são preocupações secundárias diante da urgência.

A força desse mercado paralelo aumentou significativamente após 2016 e se intensificou a partir de 2017, período em que a escassez de medicamentos deixou de ser pontual para se tornar uma realidade recorrente na ilha. Uma fonte que prefere não se identificar, importadora de remédios de países como Panamá, México e Estados Unidos, confirma a necessidade desses produtos para seu próprio tratamento de hipertensão, diabetes e cardiopatia.

No entanto, o acesso a esses medicamentos é restrito. Uma cartela de dipirona pode custar cerca de 700 pesos cubanos (R$ 7), e a de paracetamol, 500 pesos (R$ 5). Com o salário mínimo oficial de 2.100 pesos por mês, que equivale a aproximadamente US$ 4 (cerca de R$ 20) devido à inflação e desvalorização da moeda, o poder de compra da população é drasticamente reduzido.

Profissionais de Saúde e Pacientes em Situação Crítica

Um cardiologista do Hospital Clínico Cirúrgico Hermanos Ameijeiras, principal unidade de saúde do país, relatou à imprensa que as condições se agravaram drasticamente desde janeiro. Médicos têm utilizado recursos próprios para adquirir insumos e medicamentos para pacientes, e em alguns casos, os custos são repassados aos doentes.

“É uma privatização forçada do sistema de saúde cubano. O capitalismo já chegou aqui, mas da forma mais desigual e cruel. Quem tem dinheiro sobrevive, quem não tem, só resta rezar”, lamentou o médico, que pediu anonimato. A situação é tão grave que, em julho do ano passado, Rudy Gonzales, 38, precisou comprar materiais cirúrgicos para ser atendido após uma facada, pois o hospital não dispunha de insumos básicos.

Sanções dos EUA e o Impacto na Saúde Humana

O ministro da Saúde cubano, José Ángel Portal Miranda, declarou em fevereiro que as sanções dos Estados Unidos ameaçam a “segurança humana básica” em Cuba. Segundo ele, cerca de 5 milhões de cubanos com doenças crônicas podem ter seus tratamentos comprometidos pelas restrições impostas.

A dificuldade de acesso a medicamentos básicos, como aponta o relato de Eduardo Moré, e a necessidade de recorrer ao mercado paralelo, onde os preços são proibitivos para a maioria, evidenciam a grave crise humanitária que assola a ilha. A falta de insumos básicos, como bolsas de sangue que forçaram familiares a uma arrecadação de emergência, ilustra a precariedade do sistema de saúde cubano diante do cenário atual.

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