Ativistas globais reforçam a importância da luta pela democracia em tempos de crise, alertando sobre riscos e conclamando à ação.
A defesa da democracia exige mais do que palavras e manifestações virtuais. A constatação parte de ativistas que vivenciam a fragilidade democrática em seus países e observam com apreensão os rumos em nações consolidadas. O privilégio de viver em uma democracia, ressaltam, vem acompanhado de uma responsabilidade intrínseca: a de protegê-la ativamente.
A reflexão ganha força após a participação no Fórum da Democracia de Atenas, um encontro que reuniu especialistas e ativistas de todo o mundo. A visão do Partenon, símbolo da democracia ateniense, serviu como pano de fundo para discussões sobre o ativismo performático nas redes sociais e a perigosa inércia diante de ameaças reais ao sistema democrático, como a erosão de princípios e a violação de regras por líderes políticos.
Essa perspectiva é compartilhada por figuras proeminentes no cenário internacional. Tawakkul Karman, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, e Samer Sinijlawi, líder democrático palestino, convergem em seus alertas sobre a necessidade de vigilância constante e engajamento cívico. Conforme divulgado em relatos recentes, ambos enfatizam que cruzar os braços diante de ameaças autoritarias não é uma opção para a saúde e a sobrevivência da democracia.
A Voz de Quem Luta Pela Liberdade
Tawakkul Karman, a primeira iemenita e mulher árabe a receber o Prêmio Nobel da Paz, expressou seu choque ao presenciar a complacência de instituições americanas diante das pressões políticas. Ela, que liderou protestos pacíficos no Iêmen pela democracia e direitos das mulheres, compara as táticas autoritárias com as que observou em seu país.
“O mais perigoso em uma democracia”, explica Karman, é quando as pessoas começam a temer as consequências de suas ações e palavras. Esse medo, semeado pelo ditador, leva à autocensura e ao controle da narrativa, minando a liberdade de expressão e o debate público.
A luta de Karman no Iêmen, que buscou estabelecer um diálogo nacional e redigir uma nova Constituição, foi interrompida pela guerra civil. Agora, ela dedica-se a promover a democracia globalmente e a combater a influência de potências estrangeiras que buscam controlar rotas estratégicas, como o estreito de Bab el-Mandeb.
A Urgência das Eleições Livres na Palestina
Samer Sinijlawi, líder do partido palestino Masar Jadid (Novo Caminho), compartilha um alerta semelhante vindo de Jerusalém Oriental. Ele ressalta a importância crucial das eleições para o Conselho Legislativo Palestino, que não ocorrem desde 2006, e a necessidade de evitar novos adiamentos.
Sinijlawi argumenta que a ausência de um governo e legislativo palestinos legítimos e democraticamente eleitos fortalece argumentos de grupos extremistas, como o Hamas, que defendem a mudança por meios não democráticos. Ele enfatiza que a única via para a paz e a liberdade é através de instituições representativas e de uma solução de dois Estados.
O líder palestino também aborda a complexa relação entre israelenses e palestinos, propondo uma mudança de paradigma. Em vez de focar em quem “pertence” à terra, Sinijlawi sugere que a questão central seja “como nós dois pertencemos a ela”, vislumbrando uma coexistência baseada na liberdade e dignidade para ambos os povos.
O Legado de Resistência e a Esperança no Voto
Tanto Karman quanto Sinijlawi são admirados por sua capacidade de transcender o ativismo online e engajar-se diretamente na luta pela democracia. Essa abordagem ativa, que substitui slogans por pensamento e ação concreta, é vista como um resgate do espírito que um dia tornou os Estados Unidos um exemplo para o mundo.
O momento atual, com eleições importantes se aproximando em Israel, nos Estados Unidos e na Autoridade Palestina, é crucial. A participação eleitoral, como enfatiza Karman, é um dos pilares fundamentais para a preservação democrática. Incentivar o voto e apoiar candidatos comprometidos com as instituições democráticas acima de lealdades pessoais é, portanto, um chamado à ação para todos os cidadãos.
Um Chamado à Ação Cívica
A mensagem subjacente é clara: a democracia não é um sistema autossustentável, mas sim uma construção contínua que depende do engajamento ativo de seus cidadãos. A inércia e a apatia abrem portas para o autoritarismo e a erosão das liberdades conquistadas.
As experiências de Tawakkul Karman e Samer Sinijlawi servem como um poderoso lembrete de que a luta pela democracia é universal e exige coragem, perseverança e, acima de tudo, ação. O futuro de sistemas democráticos, tanto em nações em desenvolvimento quanto em democracias estabelecidas, depende da disposição de cada indivíduo em defender ativamente os princípios que os sustentam.





