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Eleições 2022: Lula e Bolsonaro evitam China, mas minerais estratégicos colocam o país no centro da disputa EUA-Pequim

Brasil na encruzilhada: A disputa pela influência da China e os minerais que podem definir o futuro

A China, gigante econômica global, mal apareceu nos debates e discursos da campanha eleitoral brasileira. Temas como o caso Banco Master, conflitos com o STF e tarifas americanas dominaram o noticiário, relegando Pequim a um papel secundário, geralmente utilizado como munição retórica. Flávio Bolsonaro, por exemplo, criticou o governo Lula por, segundo ele, “lamber as botas da China”, mas ao mesmo tempo prometeu uma relação “pragmática economicamente” com o país asiático.

Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, elogiou a “ousadia dos investidores chineses” na América Latina durante entrevista ao Flow Podcast. Ambos os candidatos parecem acenar para a ideia de que o Brasil não precisa escolher entre Pequim e Washington, uma posição que, segundo analistas, dificilmente se sustentará no próximo mandato presidencial, independentemente de quem vença.

Essa estratégia de neutralidade, que funcionou enquanto o comércio com a China se resumia a commodities como soja e minério de ferro, enfrenta novos desafios. A crescente demanda por minerais críticos, como as terras raras – essenciais para a fabricação de componentes eletrônicos, motores de carros elétricos e armamentos –, coloca o Brasil em uma posição estratégica de destaque. A China detém o controle de grande parte do refino desses minerais, e o Brasil possui a segunda maior reserva mundial, atrás apenas da própria China. Essas informações foram divulgadas pela fonte de conteúdo 1.

Goiás: O laboratório da disputa por terras raras

O estado de Goiás tem sido palco de intensas negociações e investimentos em terras raras. Em abril, a empresa americana USA Rare Earth adquiriu a mina de Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões. O Pentágono, órgão de defesa dos Estados Unidos, reforçou seu interesse no projeto com um investimento de US$ 750 milhões em agosto, pouco antes de a China apresentar uma proposta de parceria ao governo brasileiro. Paralelamente, a chinesa CMOC já opera em Goiás desde 2016, após a compra de minas de nióbio da Anglo American.

Bolsonaro e a aliança com os EUA contra o domínio chinês

Flávio Bolsonaro, em março, apresentou o Brasil em um encontro conservador em Dallas, nos Estados Unidos, como uma alternativa americana ao domínio chinês sobre minerais estratégicos. Segundo o site Amado Mundo, dias antes, um aliado de Bolsonaro teria apresentado a doadores ligados a Donald Trump um documento que visava criar uma cadeia de suprimentos paralela à chinesa. Embora o aliado tenha negado relação direta com a campanha, o documento ostentava a marca da campanha presidencial.

Lula busca processamento local e enfrenta pressão de Washington

O plano de Lula é que o minério seja processado no Brasil antes de ser exportado, buscando parcerias independentemente da origem. Uma lei sancionada em 16 de setembro criou um conselho ligado à Presidência para avaliar a participação estrangeira em projetos estratégicos. No entanto, essa postura de neutralidade não agrada a Washington, que em janeiro chegou a solicitar ao Itamaraty a revisão da venda de minas de níquel da Anglo American para a chinesa MMG.

Decisões futuras e o peso da geopolítica nas exportações

O próximo governo brasileiro herdará decisões importantes, como a gestão da cota de carne bovina aberta pela China para o Brasil em 2026. O excedente já paga uma sobretaxa de 55%, e a ampliação do limite para 2027 ficará a cargo do novo presidente. No mesmo ano, o Brasil sediará a presidência do Brics, bloco que o programa de Flávio Bolsonaro ignora completamente. Se Flávio for eleito, o agronegócio pode manter o status quo com a China, mas a questão das terras raras se torna mais complexa. Caso Lula vença, a pressão provavelmente virá de Washington, com argumentos semelhantes aos usados nas disputas comerciais anteriores.

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