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Eleições na Alemanha: Campanhas ‘Voto Estratégico’ e ‘Amar é…’ Mobilizam contra Ascensão da Extrema-Direita AfD

Alemanha em Alerta: Sociedade Civil e Partidos se Unem Contra a Extrema-Direita AfD em Eleições Cruciais

A possibilidade de a extrema-direita chegar ao poder na Alemanha pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial tem gerado uma onda de campanhas em todo o país. A sigla Alternativa para a Alemanha (AfD) desponta como favorita em pesquisas para a eleição em Saxônia-Anhalt, marcada para 6 de setembro, e pode, pela primeira vez na história moderna alemã, eleger um governador.

O movimento contra a AfD reúne um espectro amplo da sociedade, desde ativistas e figuras públicas renomadas, como a atriz Sandra Hüller, até instituições científicas e a Igreja Evangélica. O partido, conhecido por suas posições nacionalistas e xenófobas, tem em seu plano de governo propostas polêmicas que geram grande preocupação.

Uma iniciativa específica para a eleição, chamada “Mais do que nos separa” (Mehr als uns trennt, em alemão), alertou em comunicado sobre as “graves consequências sociais e econômicas” que um governo da AfD traria, não apenas para Saxônia-Anhalt, mas para além de suas fronteiras. A mensagem ressoa com o histórico sentimento de união pós-reunificação alemã, buscando reforçar laços em detrimento de divisões. Conforme divulgado por iniciativas civis e reportagens locais, a preocupação é palpável.

O Cenário Eleitoral em Saxônia-Anhalt e o Crescimento da AfD

Saxônia-Anhalt, um estado do leste da Alemanha que integrou a antiga Alemanha Oriental, ainda apresenta desafios sociais e econômicos em comparação com o oeste do país. Essa realidade, infelizmente, tem sido um terreno fértil para a plataforma populista e nacionalista da AfD. As pesquisas de intenção de voto refletem essa tendência, com a sigla alcançando 43% das preferências, bem à frente da CDU, que possui 23%, e do partido A Esquerda, com 13%.

Embora a vitória da AfD pareça iminente, o foco atual da sociedade civil está em limitar o alcance dessa vitória. A preocupação é com a possibilidade de a legenda não apenas vencer, mas também ter força suficiente para influenciar diretamente a governança do estado.

Campanhas de Arrecadação e Voto Estratégico para Conter a AfD

Em janeiro, o grupo progressista Campaq lançou a campanha “No AfD”, com o objetivo de arrecadar um valor equivalente aos € 2,5 milhões que o partido informou ter reservado para as eleições deste ano. A AfD lidera as intenções de voto não apenas em Saxônia-Anhalt, mas também em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, e prevê dobrar sua votação em Berlim.

Graças à mobilização de 75 mil doadores, a campanha já superou a meta, alcançando € 3 milhões. Metade desse montante está sendo direcionado a outras entidades ativistas, enquanto € 620 mil estão sendo investidos diretamente em ações para pedir votos para os sociais-democratas do SPD e os Verdes. Essas legendas têm lutado para superar a cláusula de barreira de 5%.

O esforço já mostra resultados nas pesquisas, com o SPD alcançando 7% e os Verdes se estabilizando em 5%. Segundo cálculos do jornal Die Zeit, a chance da AfD alcançar a maioria e indicar um governador cai de 71% para apenas 13% se o SPD e os Verdes atingirem o mínimo necessário para compor o parlamento estadual em Magdeburgo.

Felix Kolb, cientista político e líder do grupo apartidário Campaq, descreve essa estratégia como “voto estratégico”, semelhante ao conceito de voto útil no Brasil. Ele afirma que, apesar das divergências com o SPD e os Verdes, a importância desta eleição exige responsabilidade para impedir um governo da AfD, tornando os resultados possíveis mais transparentes.

“Amar a Pátria de Verdade é…” Uma Campanha Criativa Contra a AfD

A campanha “Mais do que nos separa” também utiliza uma abordagem criativa nas redes sociais, inspirada na série “Amar é…”. A iniciativa “Amar a pátria de verdade é…” confronta o conceito de “Heimat”, palavra alemã que evoca lar e pertencimento, e que foi resgatada pela extrema-direita com conotações nacionalistas e excludentes.

A campanha expõe o programa da AfD, contrastando-o com a realidade. Por exemplo, “Amar a pátria de verdade é poder ir ao mar Mediterrâneo com um documento de identificação simples”, em oposição à defesa da AfD pela saída da União Europeia, que dificultaria viagens. Outro ponto é “não ter medo de ir a um hospital sem médicos e enfermeiros”, referindo-se à proposta da AfD de restringir o acesso à saúde a profissionais alemães, considerada inexequível.

Apesar de os cartazes da campanha terem sido vandalizados em diversas cidades poucas horas após sua instalação, os militantes da AfD responderam nas redes sociais com mensagens como “O verdadeiro amor à pátria se prova nas urnas contra o sistema atual”. A iniciativa, no entanto, prossegue com mais publicidade e uma caravana pelo estado, demonstrando a resiliência do movimento contra o avanço da extrema-direita.

Em âmbito nacional, a AfD lidera as pesquisas com 28% das intenções de voto, contra 21% da CDU, uma inversão em relação às últimas eleições. Contudo, uma pesquisa da emissora pública ZDF revela que 64% dos alemães consideram negativo um governo conduzido pela legenda, evidenciando a resistência da maioria da população à ascensão da extrema-direita.

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