Eleições estaduais na Alemanha: A AfD avança e o futuro de Friedrich Merz é posto à prova
O cenário político alemão está em ebulição com a realização de eleições estaduais que podem ter um impacto significativo no futuro de Friedrich Merz, líder da União Democrata-Cristã (CDU). Embora o nome de Merz não apareça nas cédulas deste domingo (20), o resultado das votações em dois estados é visto como um termômetro para sua liderança e para a força da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita.
A AfD tem demonstrado um crescimento expressivo, com expectativas de dobrar suas votações em algumas regiões. Recentemente, o partido obteve quase 44% dos votos na Saxônia-Anhalt, ficando perto de formar seu primeiro governo. Essa ascensão levanta preocupações em um país que busca evitar a repetição de seu passado sombrio após a Segunda Guerra Mundial.
As pesquisas de opinião para as eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim indicam um panorama mais complexo. Enquanto a social-democrata Manuela Schwesig busca a reeleição e a CDU de Merz lidera em Berlim, há sinais de alerta para o partido conservador. A impopularidade de Merz e a dificuldade em emplacar reformas econômicas complexas, como mudanças na previdência e cortes em benefícios sociais, abrem espaço para a AfD conquistar votos do centro, conforme aponta Leif-Erik Holm, candidato da AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Conforme informação divulgada por veículos de imprensa alemães, a impopularidade de Merz alcançou um recorde negativo na última semana, com 88% de insatisfeitos e apenas 10% de aprovação.
CDU sob pressão em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres da Alemanha, a CDU de Merz corre o risco de não ultrapassar a cláusula de barreira de 5%, um feito inédito em seus 81 anos de existência. Lideranças locais atribuem essa dificuldade à figura do próprio primeiro-ministro, considerado de trato difícil e insensível às demandas populares. A campanha de Leif-Erik Holm, da AfD, explora justamente a perda de protagonismo da CDU no campo da direita, buscando votos no centro do eleitorado.
Em Berlim, a situação da CDU é mais favorável, com a legenda disputando a liderança com A Esquerda dentro da margem de erro. O partido que obtiver a maior bancada terá boas condições de formar uma coalizão e indicar o prefeito. No entanto, um tropeço em Berlim seria mais um golpe para a retórica de Merz, que em 2025 havia decretado o fim da esquerda como força política na Alemanha.
A estratégia de Manuela Schwesig contra a AfD
Na disputa em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a social-democrata Manuela Schwesig tem adotado uma postura de enfrentamento direto contra a AfD. Ela se posiciona como a “mulher contra o azul”, cor símbolo do partido de extrema-direita. Essa estratégia tem gerado dividendos, com analistas comparando sua atuação à do primeiro-ministro britânico Andy Burnham em seu embate com o Reform UK.
Schwesig chegou a se posicionar contra o próprio partido, o SPD, quando a coalizão anunciou o fim da aposentadoria antecipada aos 63 anos. Diversos políticos da CDU também demonstraram preocupação com o impacto político negativo que o gabinete de Merz poderia causar nas eleições estaduais.
Possíveis substitutos para Friedrich Merz em debate
Diante da possibilidade de uma “tempestade perfeita” com resultados eleitorais desfavoráveis, Friedrich Merz cancelou sua participação na Assembleia-Geral da ONU e convocou o comitê executivo da CDU. A expectativa é que ele cobre apoio incondicional de seus correligionários. Embora a troca de primeiro-ministro seja complexa, nomes como Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, seu par na Baviera, já são discutidos na imprensa alemã como possíveis substitutos.
Markus Söder, inclusive, estaria se preparando para receber integrantes do SPD durante a Oktoberfest em Munique para discutir suas possibilidades. Um novo primeiro-ministro precisaria ser eleito pela coalizão no Bundestag ou governar em minoria, já que convocar novas eleições federais é inviável, dado o potencial de vitória da AfD.




