Novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, assume o cargo com discurso firme contra o crime organizado e promessa de apoio às forças de segurança. Oposição já articula resistência.
Em uma cerimônia de posse incomum, realizada em Cali e não na capital Bogotá, o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, dirigiu-se diretamente a dezenas de militares. Seu discurso foi marcado por uma ordem clara: o “combate definitivo” contra todos os grupos criminosos e seus membros.
Espriella, conhecido por sua postura ultradireitista, assegurou aos militares e policiais que terão “todas as garantias jurídicas” para o cumprimento de seus deveres, buscando evitar perseguições futuras. Essa abordagem contrasta com a de seu antecessor, Gustavo Petro, com quem houve conflitos durante a transição.
O novo líder colombiano prometeu “fechar um grande capítulo de resignação” e iniciar um “tempo de recuperação da ordem, da autoridade e da liberdade”. A fala, que buscou restaurar a confiança nas forças de segurança, foi divulgada em um contexto de forte polarização política no país, conforme informado pela fonte do conteúdo.
Mudança de Cenário e Mensagem Clara de Autoridade
A cerimônia de posse de Espriella ocorreu em um auditório da Universidade Santiago de Cali, uma decisão que quebrou o protocolo de eventos anteriores realizados no Congresso Nacional. A escolha do local, e a presença militar expressiva, sinalizam a prioridade que o novo governo dá à segurança pública.
“Militares e policiais da pátria, este governo os protegerá”, declarou Espriella, reforçando seu compromisso com as forças armadas. A decisão de realizar o discurso em um batalhão, mesmo após o ex-presidente Petro ter vetado a ideia de iniciar o mandato em uma instalação militar fora de Bogotá, demonstra a determinação do novo presidente em impor sua agenda.
O presidente afirmou que derrotará o “narcoterrorismo” e todas as organizações criminosas que ameaçam a liberdade da Colômbia. Sua campanha centrou-se na promessa de acabar com negociações com grupos armados, construir megaprisionais e retomar a fumigação aérea de plantações de coca.
Críticas ao Governo Anterior e Revisão de Acordos de Paz
Em seu discurso, Espriella criticou veementemente o governo anterior, afirmando que “o Estado historicamente foi suficientemente nobre, o Estado, sob o regime que terminou, foi suficientemente cúmplice”. Ele prometeu uma abordagem “certeira e contundente contra o crime”, referindo-se a si mesmo com o apelido de “Tigre”.
A Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada pelo acordo de paz de 2016 com as Farc, também foi alvo de críticas. Espriella anunciou que pretende “revisar rigorosamente a natureza e o efeito” do órgão, que julga violações de direitos humanos ocorridas durante o conflito colombiano.
O novo presidente também abordou a economia, prometendo apresentar provas de corrupção durante o governo Petro e assinar um decreto para congelar gastos públicos. “Temos que pôr a casa em ordem”, declarou, criticando o “crescimento excessivo da despesa” baseado em dívidas.
Repercussão Política e oposição Organizada
A posse contou com a presença de diversos líderes de direita da América Latina, como os presidentes do Chile, Argentina, Equador e Paraguai. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi representado por seu chanceler, Mauro Vieira.
Em contrapartida, legisladores do Pacto Histórico, partido de Gustavo Petro, não compareceram à cerimônia. Membros do partido, liderados pelo candidato derrotado Iván Cepeda, organizaram protestos e anunciaram a criação de um “Gabinete pela Vida” para contestar as políticas do novo governo, buscando responder “com a força consciente e organizada do povo”.
Gustavo Petro, por sua vez, deixou a Casa de Nariño em Bogotá, despedindo-se com a mensagem: “Adeus, liberdade e vida.” A cerimônia de posse de Espriella teve forte carga religiosa, com orações e referências a Deus, refletindo a orientação conservadora e religiosa de sua campanha.
Colômbia se Junta a Iniciativas de Segurança Regional
No cenário internacional, Espriella declarou que a Colômbia deixará de ser um “pária que contemporiza com o delito transnacional” e assumirá um papel de liderança no combate ao crime global. Ele anunciou a adesão da Colômbia ao “Escudo das Américas”, uma iniciativa impulsionada pelos Estados Unidos que visa unir capacidades e compartilhar informações estratégicas entre nações livres para combater ameaças à segurança nacional e regional.
Essa coalizão, que reúne líderes de direita da região, tem como principal objetivo o combate aos cartéis de drogas. A integração a essa iniciativa reforça a promessa de Espriella de uma postura mais dura e colaborativa no enfrentamento do crime organizado em escala internacional.





