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EUA convocam aliados na ONU para tentar derrubar resolução contra embargo a Cuba; Brasil não foi convidado

EUA buscam apoio contra resolução da ONU que pede fim do embargo a Cuba, mas Brasil fica de fora de encontro em Nova York

Os Estados Unidos organizaram um evento na sede da ONU, em Nova York, com o objetivo de angariar apoio de países aliados para reverter a tradicional resolução que, anualmente, reúne a maioria dos 193 membros da organização em repúdio ao embargo econômico imposto a Cuba.

A reunião, intitulada “Cuba Livre: A Opressão que Havana Esconde”, ocorreu nesta segunda-feira (19) e faz parte da agenda paralela das Nações Unidas. No entanto, a delegação brasileira não foi convidada para o encontro, um movimento que chamou atenção no contexto diplomático.

A medida adotada pelos EUA gerou protestos da missão cubana na ONU na saída do evento. Conforme informações apuradas, a tradicional prática de notificar todas as delegações sobre eventos paralelos não foi seguida desta vez, apesar da transmissão ao vivo da reunião no site oficial da ONU. A posição do Brasil, que historicamente vota a favor do fim do embargo, é um ponto de interesse neste cenário diplomático. O opositor cubano José Daniel Ferrer, presente no evento, indicou que o convite foi direcionado a delegações abertas a debater o rechaço à resolução, excluindo o Brasil neste momento. A reportagem buscou contato com o Departamento de Estado dos EUA para obter esclarecimentos sobre os países convidados, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. Conforme o opositor cubano, a expectativa é que o Brasil possa ser convidado para futuras reuniões. Ferrer também expressou o desejo pela vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições, contrastando com a posição do presidente Lula, a quem ele descreveu como aliado do regime cubano.

Quem é José Daniel Ferrer, opositor cubano presente no evento

José Daniel Ferrer, um dos mais conhecidos opositores do regime cubano, participou do evento em Nova York. Ele chegou aos Estados Unidos em outubro do ano passado, após um período de prisão e um acordo mediado pela Casa Branca. Ferrer tem um histórico de detenções desde 2003, quando foi preso junto a mais de 70 opositores durante a “primavera negra” na ilha. Ele foi libertado em 2011 com a intermediação da Igreja Católica, mas retornou à prisão em 2021 após os protestos de julho daquele ano.

O argumento dos EUA contra a resolução da ONU

Segundo Ferrer, o objetivo do encontro promovido pelos Estados Unidos foi apresentar às delegações da ONU que o principal problema de Cuba não seria o embargo americano, intensificado durante o governo de Donald Trump, mas sim a gestão da “ditadura Castro-comunista”. A Assembleia Geral da ONU votará a resolução que pede o fim do embargo na próxima semana. O texto, submetido a votação pela primeira vez em 1992, tem recebido amplo apoio ao longo dos anos.

Histórico de votações e a estratégia americana

No ano passado, a votação da resolução registrou 165 votos a favor, um número expressivo, mas inferior à média de 190 votos nos anos anteriores. Países como Argentina, Israel, Paraguai e Ucrânia votaram contra o texto, alinhados com os Estados Unidos. A expectativa é que esse número de votos contrários possa crescer neste ano, impulsionado pela maior influência americana na América Latina, com governos de direita que tendem a apoiar a posição dos EUA. A derrubada completa da resolução é considerada uma tarefa difícil, mas os Estados Unidos buscam reduzir ao máximo o apoio ao texto, visando uma derrota discursiva para Cuba.

Posição do Brasil e a abstenção histórica dos EUA

O Brasil tem votado tradicionalmente a favor da resolução que pede o fim do embargo. A única exceção ocorreu em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, que mantinha alinhamento com os Estados Unidos. Por outro lado, os EUA sempre votam contra o texto, com uma única exceção em 2016, ano de aproximação com a ilha durante a visita de Barack Obama a Havana, quando a delegação americana se absteve. A missão de Cuba criticou o evento, classificando-o como um “ataque a Cuba e manipulação da realidade” sob a “fachada de um debate”, e lamentou a falta de convite a todas as delegações.

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