EUA planejam operações terrestres contra traficantes na América Latina, aplicando táticas da “Guerra ao Terror”
O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, revelou planos ambiciosos para combater o narcotráfico na América Latina. As Forças Armadas americanas se preparam para realizar operações em território de países aliados, com o objetivo de desmantelar organizações criminosas. A estratégia busca replicar métodos desenvolvidos ao longo de décadas de combate a grupos terroristas em outras partes do mundo.
A iniciativa sinaliza uma escalada na abordagem dos EUA contra o tráfico de drogas na região. Hegseth afirmou que o objetivo é obter em terra o “mesmo efeito” dos ataques já realizados contra embarcações suspeitas de transportar drogas. Essa nova fase da campanha antidrogas visa uma atuação mais direta e incisiva no território de nações parceiras.
A estratégia, que já está em andamento com países como Equador e Colômbia, tem gerado debates e preocupações. Grupos de direitos humanos e a oposição têm criticado as ações, considerando-as potencialmente ilegais e com risco de atingir civis. A Folha de S.Paulo questionou o Departamento de Defesa sobre a possibilidade de operações em países sem parcerias formais, mas não obteve resposta.
Parcerias Estratégicas e Nova “Guerra ao Terror”
Os Estados Unidos já iniciaram ações coordenadas com o Equador em março, apresentadas pelo governo Trump como um exemplo do compromisso contra o “narcoterrorismo”. No entanto, uma reportagem do The New York Times indicou que operações anunciadas como ataques a traficantes atingiram, na verdade, uma fazenda de gado. Recentemente, os EUA anunciaram uma nova parceria com a Colômbia, alinhada com as políticas de Donald Trump.
Hegseth declarou que a Colômbia solicitou a participação do Departamento de Defesa dos EUA em operações militares conjuntas para destruir “terroristas e redes de terror”. Esta cooperação formaliza a entrada do novo governo colombiano no “Escudo das Américas”, uma coalizão antidrogas liderada pelos EUA, da qual países como Brasil e México não fazem parte.
Alvos e Capacidades Militares Aplicadas
O chefe do Pentágono afirmou que “organizações designadas como terroristas, em conjunto com governos parceiros, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos”. A designação de grupos como o PCC e o CV como organizações terroristas pelo governo Trump não foi aceita pelo Brasil, o que, a princípio, deixaria o país fora do escopo dessas operações.
Hegseth comparou as organizações de narcotráfico a grupos como o Estado Islâmico e a Al Qaeda, declarando: “Em qualquer lugar em que vocês [grupos terroristas] trafiquem drogas, em que ameacem o povo americano ou nossos parceiros, vocês são um alvo”.
Aplicação da “Kill Chain” e Comando Conjunto
A estratégia americana visa aproveitar a experiência militar acumulada na “Guerra ao Terror”. Hegseth explicou que os EUA aprimoraram a chamada “kill chain” – o processo de identificar, localizar, acompanhar e atacar um alvo – para atingir redes terroristas a milhares de quilômetros de distância. “Por que não pegamos essas capacidades, com os melhores americanos, e as aplicamos aqui?”, questionou.
A atuação conjunta envolverá o Comando Sul, responsável pela América Latina e Caribe, e o Comando Norte, que abrange México, Estados Unidos e Canadá. “Esta é uma luta em rede, para a qual estamos dando poder ao Comando Sul e ao Comando Norte, juntos, no Hemisfério Ocidental, para agir de maneira implacável”, disse Hegseth.
Novas Ferramentas Cibernéticas Contra o Crime Organizado
O anúncio ocorre um dia após o presidente Donald Trump assinar um decreto que permite a empresas privadas americanas realizar operações cibernéticas contra grupos criminosos transnacionais. A medida possibilita ações para interromper, degradar ou destruir sistemas e redes controlados por essas organizações, potencialmente alcançando grupos como PCC e CV se enquadrados nos critérios de crimes cibernéticos contra interesses americanos.





