Europa enfrenta ano de extremos climáticos, com 95% do continente registrando temperaturas anormais em 2025.
O ano de 2025 marcou um período de eventos climáticos extremos em toda a Europa, com ondas de calor intensas, incêndios florestais de proporções inéditas e secas severas. Um relatório divulgado na última quarta-feira (29) por cientistas europeus e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirma que o continente está aquecendo em um ritmo alarmante, com consequências já visíveis e preocupantes.
O estudo, que contou com a colaboração de mais de cem especialistas, aponta que pelo menos 95% da Europa experimentou temperaturas anuais acima da média. Essa anomalia climática é mais uma evidência contundente de como a atividade humana está alterando o clima do planeta, com a Europa se destacando como a região que mais rapidamente sente os efeitos do aquecimento global.
As conclusões do relatório, intitulado “Estado do Clima Europeu”, pintam um quadro preocupante para o futuro, exigindo ações urgentes para mitigar os impactos e reverter a tendência de aquecimento. Conforme informação divulgada pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo e pela OMM, os dados reforçam a necessidade de um compromisso global com a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Europa, o continente que mais aquece no planeta
De acordo com o relatório, a Europa está aquecendo a uma taxa aproximadamente duas vezes superior à média mundial. Nos últimos 30 anos, a temperatura média no continente aumentou 0,56°C, em comparação com 0,27°C registrado globalmente. Florian Pappenberger, diretor-geral do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, destacou que “a Europa é o continente que está aquecendo mais rápido, e os impactos já são graves”.
Incêndios florestais e perda de gelo: reflexos do aquecimento
Um dos sinais mais alarmantes de 2025 foram os incêndios florestais, que devastaram mais de um milhão de hectares de terra, o maior registro histórico. Além disso, geleiras perderam massa significativa e a cobertura de neve permaneceu abaixo da média. O consenso científico é claro: essas ocorrências são consequências diretas do aquecimento global, impulsionado principalmente pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.
A proximidade da Europa com o Ártico, a região que mais aquece na Terra, a torna particularmente vulnerável. Liz Bentley, chefe da Sociedade Real de Meteorologia da Grã-Bretanha, ressaltou que “a cada ano vemos mais recordes sendo quebrados e mais eventos climáticos extremos à medida que nosso clima continua a aquecer”. O aquecimento amplificado no Ártico, que subiu 0,75°C nos últimos 30 anos, tem implicações globais.
Derretimento do gelo e elevação do nível do mar
Em 2025, a camada de gelo da Groenlândia perdeu um volume de gelo superior ao contido em todas as geleiras dos Alpes. As geleiras da Islândia também registraram sua segunda maior perda de massa documentada. Esse derretimento contribui para a elevação do nível do mar e acelera o aquecimento global, pois menos neve e gelo significam que menos luz solar é refletida de volta para a atmosfera.
O continente também experimentou temperaturas de congelamento com menor frequência. Em julho, partes da Noruega, Suécia e Finlândia sofreram uma onda de calor recorde de três semanas, com dias ultrapassando os 30°C mesmo dentro do Círculo Polar Ártico.
Seca e ondas de calor marinhas assustam
O aumento das temperaturas afetou severamente as bacias hidrográficas europeias. Em maio, mais da metade da Europa enfrentou condições de seca, com cerca de 70% dos rios apresentando fluxo anual abaixo da média. O ano de 2025 foi classificado como um dos três anos mais secos em termos de umidade do solo desde 1992.
As temperaturas da superfície do mar na Europa atingiram os níveis mais altos já registrados pelo quarto ano consecutivo. O Mediterrâneo registrou uma onda de calor marinha “forte”, enquanto o Mar da Noruega experimentou uma onda “severa”. Samantha Burgess, diretora adjunta do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, descreveu o cenário como “alarmante” e enfatizou que “o ritmo das mudanças climáticas exige ações mais urgentes”.





