O político alemão Martin Schulz, que presidiu o Parlamento Europeu por mais de uma década, aponta um erro crucial da esquerda contemporânea: o pessimismo. Em sua visão, essa tendência contrasta com a mensagem otimista transmitida pela direita, que, segundo ele, propõe a destruição como caminho para a melhora.
Schulz acredita que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é um exemplo de otimismo e resiliência, qualidades que o tornam um forte candidato à reeleição. “Lula é alguém que, em toda a vida, não se permitiu ficar cabisbaixo”, afirmou Schulz em entrevista à Folha de São Paulo, durante sua visita ao Brasil para o aniversário da Fundação Friedrich Ebert.
O ex-líder europeu expressou preocupação com o avanço da extrema direita globalmente, incluindo o partido Alternativa para a Alemanha (AfD). No entanto, ele permanece otimista quanto à capacidade das democracias de enfrentarem esses desafios, defendendo a importância de um Estado de Direito funcional e a superação de problemas herdados de gestões anteriores. A informação é do jornalista durante evento em São Paulo.
O pessimismo da esquerda e o otimismo da direita
Martin Schulz argumenta que a esquerda falha ao se concentrar apenas nos riscos de novas tecnologias, como a inteligência artificial, em vez de explorar suas oportunidades. Ele exemplifica com a gestão de trânsito em São Paulo e a otimização de sistemas de saúde, áreas onde a IA poderia oferecer soluções.
“A esquerda se acostumou a ser pessimista. É um erro terrível”, declarou Schulz. Ele contrapõe essa postura à da direita, que, em sua análise, “transmite, de alguma forma, otimismo, com o lema: vamos destruir tudo, e aí as coisas vão melhorar”. Essa abordagem, embora simplista, atrai eleitores em tempos de incerteza.
Lula como exemplo de otimismo e resiliência
O ex-presidente do Parlamento Europeu vê em Lula um modelo para a esquerda. “Ele não é perfeito, mas sempre procura soluções que ajudem os mais pobres. Não dá pra ser mais de esquerda que isso”, disse Schulz, ressaltando a capacidade de Lula de manter o ânimo e focar em políticas sociais.
Schulz avalia positivamente o governo brasileiro atual, destacando a estabilidade econômica e a queda do desemprego. Ele acredita que esses fatores, combinados com a performance de Lula, aumentam suas chances de reeleição, apesar dos desafios impostos pela oposição no Congresso.
A ascensão da extrema direita e o medo global
O político alemão atribui o crescimento da extrema direita no mundo ao medo gerado pela aceleração e imprevisibilidade do século XXI. A velocidade das informações e a pressão por sucesso criam um vácuo que discursos simplistas e radicais preenchem.
“A democracia é uma forma de governo muito lenta”, ponderou Schulz. Essa lentidão, em contraste com a rapidez dos tempos atuais, abre espaço para que a extrema direita ofereça respostas fáceis para problemas complexos, explorando a insatisfação popular.
Interferência externa e a diplomacia europeia
Sobre as declarações de Donald Trump a favor de Bolsonaro e críticas ao Brasil, Schulz as considera uma clara interferência. “Para mim, o governo que é perigoso está em Washington, não em Brasília”, afirmou, prevendo que tal apoio pode ser contraproducente para a campanha de Bolsonaro.
Em relação à postura de líderes europeus diante dos EUA, Schulz defende uma abordagem cordial, mas firme. Ele acredita que os europeus não devem descer ao nível de Trump, mantendo o respeito, mas sem demonstrar fraqueza. “Ninguém aceitaria isso na Europa”, concluiu.





