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Faria Lima, Paulista, Rebouças e Berrini: entenda as diferenças entre os eixos corporativos de SP e o que muda para empresas

Faria Lima, Paulista, Rebouças e Berrini: entenda as diferenças entre os eixos corporativos de SP e o que muda para empresas

Os principais eixos corporativos de São Paulo, como Faria Lima, Avenida Paulista, Rebouças e Berrini, enfrentam um cenário comum de escassez de escritórios premium. No entanto, cada região trilhou um caminho distinto para chegar a este ponto, influenciando diretamente as decisões de empresas que buscam novos espaços. Essa dinâmica afeta o cálculo de quem procura uma laje corporativa, especialmente em um mercado com alta demanda e oferta limitada.

A Faria Lima, por exemplo, sempre manteve um alto custo, enquanto a Rebouças passou de um polo de lojas de noivas para um centro corporativo em tempo recorde. A Avenida Paulista se recuperou de uma vacância significativa para atingir valores de aluguel inéditos em poucos anos. Já a Berrini, mais impactada pela pandemia, começa a apresentar sinais de recuperação, mas ainda corre atrás dos demais eixos.

Essas informações, compiladas a partir de relatórios de consultorias como JLL, CBRE, Cushman & Wakefield, Newmark e SiiLA, e complementadas pela cobertura do Portas, revelam as nuances de cada polo. Compreender essas diferenças é crucial para empresas que buscam otimizar custos, localização e acesso, conforme divulgado pelas consultorias de mercado imobiliário corporativo.

Faria Lima: Referência de Preço e Baixa Vacância Histórica

A Faria Lima consolida-se como a referência de preço no mercado corporativo paulistano. Segundo a SiiLA, foi a única região a superar a inflação em aluguéis de escritórios nos últimos dez anos, com uma alta de 75,4%, contra cerca de 63% do IPCA no mesmo período. A taxa de vacância na região, em conjunto com a JK, gira em torno de 7,9%, um dos menores patamares da cidade, conforme a CBRE, indicando um mercado aquecido e com pouca oferta disponível para novas locações.

O aluguel pedido em diversos edifícios já ultrapassa R$ 300 por metro quadrado, com negociações pontuais acima de R$ 400/m² em ativos classe A+. A demanda é forte, vinda principalmente de bancos, gestoras de investimento e empresas de tecnologia, que buscam lajes de alto padrão e estão dispostas a pagar um prêmio pela localização privilegiada, mesmo com a oferta cada vez mais escassa. O ritmo de entrega de novos empreendimentos, muitas vezes dependente de leilões de Cepacs, não acompanha a velocidade da demanda.

Rebouças: A Transformação Mais Rápida do Mercado Corporativo

A transformação da Rebouças é notável, saindo de um polo de lojas de noivas para um eixo corporativo dinâmico. Uma mudança no plano diretor em 2022 permitiu o desenvolvimento de empreendimentos corporativos de uso misto, absorvendo a demanda reprimida da Faria Lima e da Paulista. A taxa de vacância despencou de 29,9% no primeiro trimestre de 2025 para 12% no terceiro trimestre do mesmo ano, chegando a vacância zero no primeiro trimestre de 2026, segundo a JLL.

O aluguel acompanhou essa ascensão, saltando de R$ 146/m² para R$ 180/m² em um ano, um aumento de 23%. O estoque da região, atualmente de 51,8 mil m², deve crescer significativamente com a entrega do Biosquare, um empreendimento de 25 andares já totalmente pré-locado pela Amazon. A ocupação é dominada por serviços financeiros e digitais, atraídos pela infraestrutura de transporte e proximidade residencial, oferecendo um mix de custo competitivo e localização estratégica que se tornou raro em outros polos.

Avenida Paulista: De Vacância Recorde a Preços Inéditos

A Avenida Paulista vivenciou uma recuperação impressionante. Após um pico de vacância de 25,6% em 2023, impulsionado por entregas de novos empreendimentos entre 2019 e 2021, a região viu a taxa cair drasticamente. No terceiro trimestre de 2025, a vacância era de 4,6%, segundo a JLL, aproximando-se de zero no início de 2026, com o estoque disponível para grandes lajes corporativas praticamente esgotado.

Essa escassez elevou os preços de aluguel a patamares inéditos, situando-se entre R$ 170 e R$ 180 por metro quadrado em outubro de 2026. Empresas que não encontram espaço na Paulista buscam projetos de retrofit em prédios mais antigos, mas o custo dessa adaptação pode anular os ganhos de preço, de acordo com a JLL. A proximidade com Pinheiros, que também viu seus aluguéis subirem para R$ 180/m², reforça a valorização da região.

Berrini: Acessibilidade e Recuperação em Andamento

A Berrini foi o eixo que mais demorou para se recuperar dos impactos da pandemia. Prédios na avenida e na vizinha Chucri Zaidan precisaram oferecer condições comerciais mais agressivas para atrair ocupantes e reduzir a vacância acumulada. Atualmente, a região apresenta uma vacância próxima de 14%, enquanto polos mais centrais como Faria Lima e Itaim Bibi registram cerca de 8%, segundo a Newmark.

O cenário, porém, mostra sinais de melhora. A Berrini registrou absorção líquida positiva de 5.704 m² no segundo trimestre de 2026, revertendo a tendência de anos anteriores, conforme a Cushman & Wakefield. Relatórios recentes da CBRE indicam que Pinheiros e Chucri Zaidan, vizinhos da Berrini, estão entre as regiões que mais reduziram vacância no ano, sugerindo um possível transbordamento de demanda que pode beneficiar a Berrini nos próximos trimestres, seguindo o modelo de sucesso da Rebouças.

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