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Fidel Castro Não Era Comunista no Início, Afirma Pesquisador de Harvard: EUA Forçaram Mudança

Fidel Castro: Nacionalista Liberal Forçado ao Comunismo Pelos EUA, Sugere Pesquisador de Harvard

Duas ideias sobre Fidel Castro, cujo centenário de nascimento foi recentemente celebrado, são frequentemente desmistificadas por Jonathan Hansen, professor de Harvard. A primeira, menos surpreendente, é que o líder cubano não era um craque de beisebol, mas sim um entusiasta do basquete. A segunda, que exige mais detalhe, é a afirmação de que Fidel Castro **não era comunista até que os Estados Unidos tentassem esmagar a revolução cubana**.

Autor do livro “Young Castro: The Making of a Revolutionary”, Hansen dedicou anos à pesquisa sobre a formação política do homem que liderou o movimento que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista em 1959. Sua análise sugere que a imagem de Fidel como um comunista fervoroso surgiu após a intervenção americana, e não como um ideal inicial.

O ponto central de Hansen é que, no início de sua carreira política, Castro era um **nacionalista liberal**. Sua luta visava a soberania e a autodeterminação de Cuba, um país historicamente sob forte influência dos Estados Unidos. Essa perspectiva desafia a visão consolidada de um revolucionário com inclinações comunistas desde o princípio, conforme aponta o pesquisador, em informações divulgadas sobre seu trabalho.

Origens e Juventude de Fidel Castro

Nascido em uma família abastada e crescendo em meio a vastas plantações de cana-de-açúcar controladas pelos EUA, Fidel Castro teve uma juventude confortável. “Fidel cresceu em uma família que se dava bem com os americanos”, afirma Hansen. Apesar da riqueza, ele não via o dinheiro como algo garantido, possivelmente devido às origens humildes de seus pais.

A Virada para o Comunismo: A Crise dos Mísseis e a Pressão Americana

A mudança radical no discurso e nas ações de Fidel Castro é associada à Crise dos Mísseis de 1962. Um ano após a invasão da Baía dos Porcos, apoiada pelos EUA, por exilados cubanos, Castro permitiu que a União Soviética instalasse mísseis nucleares em Cuba. Essa decisão, vista por Moscou como uma resposta ao avanço nuclear americano na Turquia, colocou o mundo à beira de uma guerra nuclear.

Hansen argumenta que esse período marcou a transição. “Eu provo que Fidel não era comunista até os EUA entrarem para esmagar a revolução”, declara o pesquisador, que descobriu mais de cem cartas do revolucionário em sua pesquisa. Essa afirmação é sustentada por evidências de 1959, quando Castro viajou a Buenos Aires para uma conferência da OEA.

O Plano Marshall Cubano e a Guerra Fria

Na conferência da OEA, Fidel Castro propôs um plano ambicioso, semelhante ao Plano Marshall, no valor de US$ 36 bilhões para a América Latina. “Ele estava pedindo aos EUA e àqueles ministros da Economia não um presente, mas um empréstimo para construir mercado e promover oportunidades”, explica Hansen. A iniciativa visava o desenvolvimento de Cuba, mas também da América Latina, EUA e Canadá.

No entanto, essa proposta foi ofuscada pela Guerra Fria e, subsequentemente, pelo embargo americano. “Ele foi colocado nessa posição porque os EUA decidiram que uma Cuba livre, independente e autodeterminada estava fora de questão em 1959”, relata o pesquisador. A rápida vitória de Castro contra o exército de Batista, sem uma plataforma política consolidada, o deixou vulnerável.

O Papel dos Comunistas e o Legado Ambíguo de Fidel

Diante da agressão americana, a única força organizada e capaz de reagir em Cuba eram os comunistas. “Eram os comunistas”, afirma Hansen, explicando a necessidade de alianças estratégicas. A União Soviética era a única potência capaz de fazer frente aos Estados Unidos naquele momento.

Cem anos após seu nascimento e dez após sua morte, o legado de Fidel Castro permanece complexo. Hansen considera difícil determinar se ele será lembrado como um revolucionário ou um ditador. “Acho que os dois”, pondera. “Quando o imperialismo americano estava avançando, as pessoas se lembram do fato de que ele teve coragem e capacidade de enfrentar os EUA”.

Por outro lado, os problemas econômicos de Cuba e a dificuldade em suprir as necessidades básicas de sua população também marcam sua imagem. “Quando estamos discutindo problemas econômicos, então surge um Fidel diferente, que não conseguiu alimentar seu próprio povo”, conclui o professor. Se a conversa for sobre desenvolvimento econômico, Fidel tem poucas respostas, mas sobre **coragem para enfrentar o imperialismo**, ele tem muito a ensinar.

Jonathan Hansen, 63 anos, é professor do Centro David Rockefeller para Estudos Latino-Americanos da Universidade Harvard e autor de “Young Castro: The Making of a Revolutionary”.

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