Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Fitti Surpreende ao Cantar Ney Matogrosso em Show que Celebra a Estranheza Autoral e a Liberdade Criativa

Fitti Encanta no Queremos! Festival ao Reviver Ney Matogrosso com Performance Teatral e Singular

O segundo dia da sétima edição do Queremos! Festival, no Rio de Janeiro, foi marcado por uma apresentação memorável de Fitti. O artista pernambucano subiu ao palco do Teatro Carlos Gomes para interpretar o repertório de Ney Matogrosso, conquistando o público com uma performance irretocável e cheia de originalidade.

Fitti, cantor, compositor e ator recifense, demonstrou profundo respeito pela essência artística de Ney Matogrosso, que em agosto completará 85 anos. Longe de ser uma mera imitação, o show “Fitti canta Ney” propôs uma releitura singular das 16 canções escolhidas, reafirmando a identidade de Fitti e celebrando a liberdade que sempre permeou a vida e obra do ícone da música brasileira.

A concepção do espetáculo, idealizada por Marcus Preto, diretor artístico do álbum e do show, trouxe uma teatralidade marcante, complementada pela potente sonoridade orquestrada sob a direção musical de Pupillo. A banda, formada ainda por Yuri Queiroga, Vinicius Furquim e Vic Vilandez, criou a atmosfera perfeita para a apresentação, conforme divulgado pela fonte do conteúdo.

Energia Rockeira e Teatralidade Ritualística no Palco

O clima do show foi estabelecido com sons de chuva e trovoadas, preparando o terreno para a entrada de Fitti ao som de “Homem de Neanderthal”. A energia roqueira impulsionou os momentos iniciais, com canções como “Tem gente com fome” e “Flores astrais”, mostrando a força da interpretação de Fitti, que utilizou tanto a voz quanto o corpo para dar vida às músicas.

A performance de Fitti evoluiu para uma dominação da cena, caracterizando-se como o “cara meio estranho” mencionado em “Bandido corazón”. Esta música, com seu sotaque latino, marcou uma transição no espetáculo, guiando o público para novas atmosferas e climas, demonstrando a versatilidade do artista.

O sentido político de “O patrão nosso de cada dia” foi realçado em um número minimalista, com a guitarra precisa de Yuri Queiroga. A teatralidade se tornou quase ritualística em “Bandolero”, onde Fitti manteve o controle do palco, mesmo ao incentivar o canto da plateia em “Sangue latino” ou ao descer para interagir com o público durante “Seu tipo”.

Releituras Afetuosas e Celebração da Identidade

A introspecção poética de “Viajante”, interpretada por Fitti em uma cadeira central, intensificou a carga lírica do show. Uma ideia particularmente sagaz foi a adaptação de “Dívidas de amor”, parceria de Leoni e Ney Matogrosso, para o universo do brega pernambucano, destacando Ney como compositor.

A música “Dívidas de amor” integra o álbum “Bugre” (1986), lançado há 40 anos como uma tentativa de renovação na carreira de Ney. Nesse mesmo álbum, Ney revisitou “Balada do louco”, dos Mutantes, que Fitti trouxe com uma delicadeza envolvente, acompanhado pelos teclados de Vinicius Furquim.

Ao ressignificar “Homem com H”, Fitti, como homem trans, trouxe uma nova perspectiva a este clássico forrozeiro, originalmente lançado pelo trio Os 3 do Nordeste e eternizado por Ney Matogrosso em 1981. A plateia presente na estreia carioca do show “Fitti canta Ney” já tinha a certeza de estar diante de um intérprete com tamanha carga autoral que soube honrar o repertório de Ney sem cair na armadilha do cover, apresentando uma versão do cancioneiro de Ney que soou ao mesmo tempo nova e atemporal.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos