Adolfo Sachsida, nome forte na economia de Flávio Bolsonaro, detalha plano para futuro governo
Um integrante da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o economista Adolfo Sachsida, um dos principais articuladores das propostas econômicas do senador, acredita que um eventual governo pode reorganizar as contas públicas em um prazo de até 18 meses. A estratégia central envolve o avanço em reformas microeconômicas para impulsionar a produtividade, preparando o Brasil para atrair investimentos e gerar mais empregos e renda.
Sachsida, que foi ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro, trabalha ao lado da ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, e ex-integrantes do Ministério da Economia para formular alternativas nas áreas fiscal, de arrecadação e de ambiente de negócios. O grupo discute quais propostas dependem do Executivo e quais necessitam de aprovação do Congresso Nacional.
Essa articulação ocorre enquanto o nome de Sachsida circula como um possível ministro da Economia em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Seu pensamento, expressado em artigos e propostas, aponta caminhos para a economia brasileira, com foco em estabilidade e crescimento. As informações foram divulgadas pela campanha e por publicações do próprio economista.
Ajuste Fiscal: A Prioridade Absoluta para Estabilizar a Economia
O diagnóstico de Adolfo Sachsida parte da necessidade urgente de conter o crescimento da dívida pública e restaurar a capacidade do Estado de se financiar sem pressionar continuamente os juros. Essa perspectiva, defendida em artigos recentes, aponta a consolidação fiscal e reformas pró-mercado como pilares para um crescimento sustentável.
No Projeto Brasil, iniciativa apartidária que antecedeu sua entrada na campanha de Flávio, Sachsida já propunha uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para estabelecer um limite para a relação dívida pública/PIB, utilizando um teto de gastos como ferramenta de controle. A ideia é substituir aumentos de impostos por uma regra que controle a expansão das despesas.
Essa visão converge com o plano de governo de Flávio Bolsonaro, que também prioriza o ajuste das contas públicas, prometendo um “tesourão” nos gastos e uma nova regra fiscal. A equipe de campanha confirmou a intenção de apresentar uma PEC fiscal ainda este ano, caso o senador seja eleito, buscando estabilizar o cenário econômico do país.
Reforma Tributária e Redução da Burocracia: Caminhos para a Produtividade
As propostas de Sachsida também incluem medidas para enxugar a estrutura administrativa e reduzir os custos regulatórios. O Projeto Brasil defendia a diminuição do número de ministérios de 39 para 25, meta que encontra eco no plano de governo de Flávio, que visa cortar ao menos dez pastas.
Outra iniciativa relevante é a PEC da Liberdade Produtiva, que impediria o aumento de tributos, encargos trabalhistas e obrigações regulatórias sem uma contrapartida de simplificação ou redução de custos. Sachsida também propôs revogar mais de mil atos normativos que, segundo ele, aumentaram a burocracia sem benefícios claros.
A campanha de Flávio Bolsonaro sinaliza a intenção de promover um “grande revogaço de normas infralegais e burocracias” nos primeiros 100 dias de um eventual governo, buscando agilizar o ambiente de negócios e facilitar a vida de empreendedores.
Inclusão Produtiva e o Futuro do Trabalho com Inteligência Artificial
O ajuste fiscal, na visão de Sachsida, deve abrir espaço para o crescimento e a mobilidade social. Uma das propostas do Projeto Brasil é o programa Microempreendedor Digital (MED), que integra assistência social, qualificação profissional, microcrédito e apoio ao empreendedorismo. O objetivo é auxiliar beneficiários a criarem seus próprios negócios e fontes de renda.
Essa iniciativa se conecta à preocupação do economista com os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Sachsida defende a preparação dos trabalhadores para as transformações tecnológicas e o fomento ao empreendedorismo como via de inclusão produtiva e geração de oportunidades.
Contas Públicas em Números: O Desafio Fiscal do Brasil
O desafio fiscal é expressivo: em agosto, a dívida bruta do governo geral atingiu 82,9% do PIB, totalizando R$ 11,05 trilhões, segundo o Banco Central. No mesmo mês, o déficit nominal acumulado em 12 meses chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB. A reorganização das contas públicas, conforme Sachsida estima, levaria cerca de um ano e meio.
A composição do orçamento apresenta um obstáculo: 91,7% dos gastos primários da União são obrigatórios, incluindo aposentadorias, salários e transferências constitucionais. Apenas 8,3% são discricionários. A Previdência Social sozinha representa R$ 1,17 trilhão do orçamento projetado, evidenciando a necessidade de reformas estruturais para um corte expressivo de despesas.
O debate sobre cortes de despesas ganhou relevância com a menção de uma “Super PEC” capaz de cortar até R$ 200 bilhões, cerca de 1,5% do PIB. Embora a campanha negue que propostas como mudanças na correção de aposentadorias e do BPC integrem seu plano oficial, Sachsida reafirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro preservaria e fortaleceria os programas sociais, descartando a privatização de estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa.
Reforma Tributária: Uma Visão Distinta de Sachsida
No âmbito tributário, uma das propostas mais ousadas de Sachsida no Projeto Brasil é limitar a reforma tributária sobre o consumo aos tributos federais. Ele defende a continuidade da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá PIS e Cofins, mas se opõe ao avanço do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituiria ICMS e ISS.
Sachsida argumenta que a implementação integral do IBS pode gerar custos adicionais e incerteza jurídica, prevendo uma economia de cerca de R$ 170 bilhões até 2030 ao limitar a reforma à CBS. Interromper a implementação do IBS exigiria alterações no arcabouço jurídico atual, afetando a transição tributária de estados e municípios.
O economista também propõe reduzir o IOF, extinguir o Imposto Seletivo e o imposto de exportação do petróleo, medidas que visam diminuir ou eliminar receitas federais. Essas iniciativas alinham-se com o plano de Flávio Bolsonaro, que foca na redução da máquina pública e no combate a desperdícios como premissas para a diminuição de impostos, com o objetivo de reduzir as alíquotas do IOF aos níveis de 2022 e revogar a alíquota sobre exportações de petróleo bruto.





