A política externa americana no Oriente Médio: Um ciclo de ambições e realidades
A retórica inflamada e as ações de Donald Trump frequentemente levam a crises a serem vistas como momentos decisivos para o poder americano no mundo. A recente tensão com o Irã, marcada por tentativas desajeitadas de resolução, evoca imagens de um possível fim de império.
Comparações históricas, como a crise de Suez para o Reino Unido ou a invasão da Lídia por Creso, são evocadas para ilustrar a potencial impotência americana. No entanto, uma perspectiva alternativa sugere que a situação atual pode ser um retorno a padrões familiares da política externa dos EUA.
Essa visão é sustentada por um longo histórico de fracassos americanos na região, desde negociações de paz até intervenções militares. Conforme informações divulgadas, essa análise aponta que a política externa dos EUA no Oriente Médio, marcada por tentativas e fracassos, pode não indicar um declínio imperial, mas sim um padrão recorrente.
Um histórico de desafios no Oriente Médio
A busca por grandes acordos no Oriente Médio, que frequentemente se transforma em conflitos sectários e étnicos, é uma constante. O poder militar americano, embora taticamente eficaz em muitos momentos, tem lutado para alterar o cenário estratégico de forma duradoura.
Desde o colapso das negociações de Camp David em 2000, os Estados Unidos enfrentam uma série de reveses. A lista inclui os esforços frustrados para reviver o processo de paz israelo-palestino, o desastre da invasão do Iraque por George W. Bush e a ascensão do Estado Islâmico.
A decisão de Barack Obama de intervir na Líbia durante a Primavera Árabe e o fracasso persistente da política americana em relação ao Irã, seja por via dura ou conciliatória, também compõem esse cenário de dificuldades.
Trump: Um retorno às grandes ambições?
Em meio a esse legado, o primeiro mandato de Trump se destacou por ambições mais modestas, que renderam alguns sucessos, como a derrota do Estado Islâmico e os Acordos de Abraão. Contudo, sua recente aventura iraniana parece ser um retorno às grandes ambições de seus antecessores.
Trump, aparentemente, esperava que uma combinação do poder militar americano e israelense pudesse promover uma transformação rápida e de cima para baixo na região. Essa abordagem se assemelha às tentativas anteriores que falharam em remodelar o Oriente Médio.
Até o momento, os resultados não parecem significativamente diferentes dos fracassos passados. A questão central é se este episódio será mais debilitante do que intervenções anteriores no Iraque, Líbia ou Afeganistão, a ponto de justificar comparações com o declínio britânico em Suez ou um colapso imperial.
Ressalvas e perspectivas futuras
Embora seja possível argumentar que um fiasco atual poderia entregar o futuro à China e à Rússia, e que a credibilidade americana esteja sendo corroída, há ressalvas importantes a serem consideradas. Uma guerra bem-sucedida contra o poderio militar iraniano não se assemelha a desastres históricos como Dien Bien Phu ou a retirada de Napoleão de Moscou.
Diferentemente da crise de Suez, onde uma superpotência emergente expôs a impotência britânica, a maior restrição à ação americana hoje é a opinião pública dos EUA, que reluta em arcar com novas baixas ou aumentos nos preços da gasolina por retornos incertos.
Aliados europeus e árabes podem se distanciar, mas é improvável que se alinhem com um Irã enfraquecido militarmente ou com uma Rússia imersa em seus próprios conflitos. Além disso, a economia americana está mais protegida contra interrupções energéticas do que no passado.
Administrando, não resolvendo permanentemente
Uma guerra malsucedida no Irã certamente criaria oportunidades para a China, deixaria o Irã com um caminho para a nuclearização e desviaria a atenção de desafios como a inteligência artificial. No entanto, se uma trégua insatisfatória for alcançada, forçando um retorno à postura de “administrar” o Oriente Médio em vez de buscar soluções permanentes, os EUA podem conseguir adiar um declínio imperial.
Essa abordagem, mais próxima do “Trump 1.0”, reconhece a complexidade da região e a dificuldade de impor soluções definitivas. Ao gerenciar os problemas em vez de tentar resolvê-los completamente, os Estados Unidos podem, paradoxalmente, sair um pouco melhor do que o rei Creso e ver a queda de seu império adiada.





