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Gana: Caixões Escultóricos Homenageiam Vidas com Guitarras, Canetas e Peixes Gigantes

A arte que celebra a vida no adeus: caixões de fantasia em Gana contam histórias únicas

Em Gana, a despedida de um ente querido ganha contornos de arte e memória. A tradição dos caixões figurativos, ou de fantasia, transforma o último leito em uma poderosa representação da vida de quem partiu.

Pescadores descansam em forma de peixes ou canoas, agricultores em vagens de cacau e músicos, como o falecido Frederick Teiko Ofori, em enormes guitarras. Essa prática, especialmente forte nos arredores da capital Acra, oferece adeus criativos e profundamente pessoais.

Essa arte funerária, inspirada em parte pelos elaborados palanquins usados por chefes locais, reflete a rica tapeçaria cultural do país e tem ganhado reconhecimento global, inclusive com peças expostas em museus de renome. Conforme informação divulgada pela agência AFP.

A melodia final em forma de guitarra

O músico Frederick Teiko Ofori teve sua vida interrompida tragicamente em um acidente de trânsito. Sua família, em uma tocante homenagem, decidiu que sua paixão pela música o acompanharia até o fim. Assim, seu caixão foi moldado na forma de uma gigantesca guitarra, um instrumento que marcou sua trajetória.

O caixão, uma obra de Daniel Oblie Mensah, conhecido como “Hello”, um veterano fabricante de caixões com mais de três décadas de experiência, chamou a atenção em seu funeral. Mensah expressou seu entusiasmo em transformar profissões e paixões em “últimas moradas”, afirmando que isso ajuda a honrar verdadeiramente a pessoa e sua família.

A caneta que eterniza um professor

Samuel Commey Tetteh, um professor dedicado que lecionou por mais de meio século na comunidade de Paanor, em Ga Sul, também recebeu uma despedida singular. Seu caixão foi habilmente esculpido na forma de uma enorme caneta, simbolizando sua longa carreira dedicada à educação.

A peça, também obra de Mensah, exigiu cerca de duas semanas de trabalho minucioso. Em oficinas espalhadas por Acra, dezenas de outras vidas aguardam para serem traduzidas em madeira, com artesãos dedicando-se a capturar a essência de cada indivíduo.

A arte que viaja pelo mundo

A tradição dos caixões escultóricos, que surgiu em meados do século 20, hoje ocupa um espaço singular na arte contemporânea. Embora o trabalho artesanal seja detalhado, essas peças, em sua maioria, desaparecem sob a terra.

No entanto, algumas chegam a ser expostas em museus, como um caixão em forma de guitarra do artista ganense Paa Joe, que foi emprestado ao Museu Metropolitano de Arte em Nova York. O interesse global por essa arte tem impulsionado o ofício, com encomendas de museus e colecionadores estrangeiros.

O ofício de transformar madeira em arte

Os caixões figurativos em Gana custam em média 10 mil cedis ganeses, o equivalente a cerca de R$ 4.900. As peças destinadas a exposições, no entanto, podem ter um custo mais elevado devido ao uso de materiais mais duráveis.

Lawrence Okoe Anang, que administra a oficina familiar com seu irmão, se descreve como carpinteiro, fabricante de caixões e artista. A capacidade de transformar madeira comum em representações tão diversas, como um peixe, um avião, uma Bíblia, uma caneta ou uma guitarra, demonstra a profundidade e a versatilidade dessa arte funerária única.

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