Google prevê data centers no espaço em 10 anos para suprir demanda de IA
Os ambiciosos planos do Google para impulsionar a inteligência artificial estão ganhando uma dimensão verdadeiramente espacial. Em declarações recentes à Fox News, o CEO Sundar Pichai revelou que a empresa pretende iniciar a construção de data centers de IA no espaço em breve. Essa iniciativa faz parte do “Project Suncatcher”, lançado no final do ano passado, que visa encontrar maneiras mais eficientes de alimentar data centers, grandes consumidores de energia, utilizando a energia solar.
“Uma das nossas ideias mais audaciosas é: como ter, um dia, data centers no espaço para aproveitar melhor a energia do sol, que é 100 trilhões de vezes maior do que toda a energia que produzimos hoje na Terra?”, questionou Pichai, destacando o imenso potencial energético fora do nosso planeta.
O primeiro passo concreto está previsto para o início de 2027, em colaboração com a empresa de imagens de satélite Planet. Serão lançados dois satélites-piloto para testar o hardware em órbita. Para Pichai, a ideia de data centers espaciais não é ficção científica, mas sim uma tendência que moldará o futuro da infraestrutura tecnológica.
Um futuro espacial para a inteligência artificial
“Não tenho dúvida de que, daqui a cerca de uma década, vamos encarar isso como uma forma normal de construir data centers”, afirmou o CEO, pintando um quadro onde a infraestrutura de computação se estende para além da Terra. Essa visão é compartilhada por outras empresas do setor, como a SpaceX, que solicitou autorização para lançar até um milhão de satélites com o objetivo de criar uma rede movida a energia solar para atender à demanda crescente de dados impulsionada pela IA.
A startup Starcloud, com apoio de gigantes como Y Combinator e Nvidia, já colocou em órbita seu primeiro satélite com IA embarcada em dezembro de 2025. Seu CEO, Philip Johnston, projeta que data centers espaciais possam emitir até dez vezes menos carbono do que os terrestres, mesmo considerando a poluição gerada pelos lançamentos de foguetes.
Desafios e oportunidades na corrida espacial da IA
O barateamento dos custos de satélites para testes de IA no espaço está viabilizando essa corrida. No entanto, o custo exato de construir e operar data centers solares no espaço ainda é um grande ponto de interrogação. Isso ocorre em um cenário onde os centros de dados em terra já exigirão mais de US$ 5 trilhões em investimentos até 2030, de acordo com um relatório da McKinsey de abril de 2025.
O Google, que tem investido pesadamente em infraestrutura de IA com seu modelo Gemini 3, planeja destinar entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões em capital para expandir sua base de data centers de IA neste ano. Essa expansão massiva, no entanto, levanta preocupações sobre uma possível “bolha de IA”, com risco de excesso de data centers e investimentos que podem se tornar obsoletos rapidamente.
A energia como pilar central e a crescente pegada de carbono
A expansão da IA demanda um volume colossal de eletricidade. Um relatório do Departamento de Energia dos EUA, de dezembro de 2024, indica que o consumo de energia dos data centers triplicou em 10 anos e pode dobrar ou triplicar novamente até 2028. Em 2023, eles já representavam mais de 4% da eletricidade consumida nos EUA, com projeções de alcançar até 12% em 2028.
O próprio Google mais que dobrou o uso de energia em seus data centers em cinco anos, passando de 14,4 milhões de MWh em 2020 para 30,8 milhões de MWh em 2024. Apesar de a empresa ter reduzido em 12% as emissões associadas a essa energia em 2024, as dúvidas sobre a viabilidade técnica, econômica e ambiental de levar essa infraestrutura para o espaço persistem.
Ceticismo e preocupações ambientais
Nem todos compartilham do otimismo. Matt Garman, CEO da Amazon Web Services, ironizou a ideia em fevereiro, destacando o peso dos racks de servidores e a ausência de estruturas permanentes humanas no espaço. Especialistas em sustentabilidade também alertam que a “corrida espacial da IA” pode criar novos problemas ambientais. Golestan Radwan, chefe de transformação digital do Programa da ONU para o Meio Ambiente, ressaltou em 2024 a necessidade de garantir que o efeito líquido da IA sobre o planeta seja positivo antes de escalar a tecnologia, dada a preocupação com os dados ambientais atuais.





