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Governo Trump promove autoritarismo global ao apoiar extremistas e moldar eleições, alerta historiadora Anne Applebaum

Historiadora Anne Applebaum critica interferência dos EUA em eleições globais promovida pelo governo Trump, alertando para o avanço do autoritarismo.

A jornalista e historiadora Anne Applebaum, ganhadora do prêmio Pulitzer, avalia que a estratégia do governo Trump para influenciar eleições em outros países, incluindo o Brasil, é um fenômeno sem precedentes na história dos Estados Unidos.

Segundo Applebaum, a política externa americana sob Trump se diferencia radicalmente de ações anteriores, que, embora pudessem demonstrar simpatia partidária, não envolviam o apoio explícito de um presidente a candidatos em democracias estrangeiras.

Em entrevista à Folha, concedida durante sua participação em um evento da Fundação FHC, a historiadora detalha como o governo Trump tem utilizado não apenas declarações de apoio, mas também ferramentas diplomáticas e econômicas para moldar resultados eleitorais ao redor do mundo, conforme divulgado pela própria fonte.

Interferência sem precedentes e o apoio a extremistas

Applebaum enfatiza que a atuação de um governo americano em apoiar abertamente candidatos em democracias é algo extremamente incomum. Historicamente, os EUA manifestavam apoio a princípios como eleições livres e democracia, mas deixavam os processos eleitorais de outras nações em paz, sem intervenções diretas.

O governo Trump, no entanto, está agindo de forma inédita, utilizando recursos diplomáticos e econômicos para influenciar pleitos. Exemplos citados incluem o resgate financeiro à Argentina, sanções contra juízes no Brasil e o apoio do secretário de Estado, Marco Rubio, a Viktor Orbán na Hungria.

Outro ponto de preocupação é o perfil dos candidatos apoiados. Applebaum observa que o governo Trump tem endossado figuras alinhadas com uma visão de **civilização cristã**, ideologia de **extrema direita** e oposição a pautas como a **ideologia de gênero**, o que, segundo ela, representa um alinhamento com partidos antidemocráticos e a promoção do autoritarismo.

O papel das plataformas digitais e as alas do MAGA

A historiadora também aponta para o uso do ecossistema de informação como ferramenta de pressão. Plataformas como o Twitter (agora X) tiveram seus algoritmos alterados, segundo Applebaum, para favorecer a extrema direita, com uma redução na moderação de conteúdo.

Isso resultou, na visão dela, em uma **inundação da plataforma com mensagens racistas, misóginas e divisivas**, o que, de modo geral, beneficia partidos mais extremistas e torna o ambiente online mais raivoso.

Applebaum identifica três alas principais dentro do movimento MAGA (Make America Great Again) influenciando a política externa americana: os **autoritários tecnológicos**, como Peter Thiel e Elon Musk, que buscam evitar regulamentações e promover seus interesses; os **nacionalistas cristãos**, que defendem um alinhamento global de movimentos cristãos; e um grupo mais abertamente **racista**, focado na supremacia branca e na manutenção de identidades étnicas em países europeus e latino-americanos.

Ações de Trump e a oposição contida

Apesar da influência dessas alas, Applebaum acredita que Donald Trump não age por convicção ideológica ou estratégica, mas sim pelo que é vantajoso para ele no momento. Ele busca ser visto como dominante e vencedor em suas interações.

Ela cita exemplos como o apoio a Zohran Mamdani, prefeito progressista de Nova York, e o interesse em Lula, mesmo após a derrota de Bolsonaro. Essas decisões teriam sido baseadas na **intuição e percepção de vitória** de Trump, e não em alinhamentos ideológicos.

A historiadora lamenta a **subserviência do Congresso** ao governo Trump, afirmando que nunca houve uma oposição congressual tão fraca. Embora os democratas tenham se manifestado e obtido vitórias eleitorais inesperadas em alguns locais, a falta de oposição republicana é um ponto crítico.

Os protestos massivos, como as marchas “No Kings”, são vistos por Applebaum como um sinal de energia popular, embora não garantam vitórias eleitorais diretas. Ela ressalta, contudo, que manifestações podem **dar às pessoas a energia necessária** para a ação política, baseada em sua experiência na Polônia.

Preocupação com interferência eleitoral futura

Anne Applebaum expressa grande preocupação com a possibilidade de Trump **interferir nas eleições de meio de mandato**. Ela lembra os eventos de 6 de janeiro de 2021 como prova de sua disposição em agir contra processos democráticos sem hesitação moral.

As táticas potenciais incluem dificultar o voto para certos eleitorados, **expurgar nomes de cadastros eleitorais** e, em um cenário extremo, usar uma declaração de estado de emergência, possivelmente em contexto de guerra, para cancelar eleições.

A complexidade do sistema eleitoral americano, com 50 sistemas distintos, pode ser um obstáculo, mas Applebaum alerta que mudanças em alguns desses sistemas podem ser suficientes para gerar impacto. A **dificuldade em alterar 50 instituições diferentes** é um fator, mas não impossibilita ações pontuais.

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