Governo Trump Reafirma Doutrina Monroe e Busca Hegemonia nas Américas
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo defendendo a Doutrina Monroe, um princípio político que estabelece a hegemonia de Washington no continente americano. A divulgação ocorre em um momento em que o governo Trump busca reforçar sua influência na região, declarando que o domínio dos EUA nas Américas jamais será questionado.
O vídeo, divulgado nesta terça-feira (11), traz o embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, explicando a origem da doutrina em 1823. Na época, os EUA se propuseram a manter as Américas livres da influência europeia, apoiando a independência de países latino-americanos de Espanha e Portugal. Inicialmente, a doutrina era mais simbólica, devido à limitação da força naval americana.
No entanto, a partir da segunda metade do século XIX, com o crescimento econômico e a expansão territorial dos Estados Unidos, a Doutrina Monroe ganhou contornos mais assertivos, sendo utilizada para justificar intervenções e a expansão da esfera de influência americana na América Latina. Essa reafirmação da doutrina, segundo o Departamento de Estado, visa garantir a estabilidade e a segurança regional sob liderança norte-americana. A informação foi divulgada pelo Departamento de Estado americano.
A Doutrina Monroe e a História de Intervenções Americanas
O embaixador Kevin Marino Cabrera, apoiador de Donald Trump, detalha no vídeo o histórico de intervenções dos EUA na América Latina, citando a guerra contra a Espanha que resultou na independência de Cuba, que posteriormente passou a integrar a esfera de influência de Washington. A divulgação do vídeo foi acompanhada por uma postagem no X, antiga plataforma do Twitter, com a citação de Trump: “o domínio americano no Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente“.
Essa declaração de Trump ocorreu após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026, que era visto como um aliado da Rússia e da China. A ação foi justificada pelo governo americano com base na Doutrina Monroe, reforçando a ideia de que os EUA não tolerarão influências externas em sua esfera de atuação.
Críticas e Imprecisões Históricas no Vídeo Americano
Apesar da defesa apresentada pelo Departamento de Estado, o vídeo tem sido alvo de críticas por conter imprecisões históricas e omissões significativas. Um exemplo citado é a alegação de que os EUA expulsaram a França do México. Na realidade, a resistência mexicana contra a tentativa de instalar uma monarquia liderada por Maximiliano de Habsburgo foi liderada pelo presidente Benito Juárez, com apoio financeiro dos EUA apenas a partir de 1865, quando o governo republicano já estava em processo de recuperação.
O vídeo também menciona a intervenção americana na Nicarágua em apoio ao ditador Anastasio Somoza, mas omite outros episódios em que Washington apoiou regimes autoritários na América Latina, como no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Tentativas de intervenção fracassadas, como a invasão da Baía dos Porcos em Cuba, também foram deixadas de fora.
Nova Abordagem para a Segurança e Migração
A reafirmação da Doutrina Monroe pelo governo Trump se alinha com um documento divulgado pela Casa Branca em dezembro do ano passado. Na ocasião, foi defendida uma retomada da doutrina com foco no fim das migrações em massa e na segurança de fronteiras como elemento central da política externa americana. A intenção é consolidar o domínio dos EUA nas Américas e garantir o controle sobre os fluxos migratórios.
A postura do governo americano reacende o debate sobre a soberania e a autonomia dos países latino-americanos, levantando preocupações sobre a possibilidade de novas intervenções e a imposição de agendas externas. A divulgação do vídeo e as declarações reforçam a política de “América Primeiro” e a visão de que o Hemisfério Ocidental deve estar sob forte influência dos Estados Unidos.





