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Guerra de Trump contra o Irã completa 6 meses: Oriente Médio em xeque e credibilidade americana abalada

Seis meses de guerra no Irã: o que mudou e o que esperar do conflito iniciado por Donald Trump

A guerra lançada por Donald Trump contra o Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28). Embora o fim do conflito não seja previsível, os desdobramentos já redesenharam o mapa do Oriente Médio como o conhecíamos nas últimas décadas. O republicano, em uma estratégia contraditória, buscou isolar-se da região ao mesmo tempo em que intensificou o intervencionismo, ecoando ações americanas passadas.

A escalada contra o Irã foi impulsionada pela chamada Estratégia de Defesa Nacional de dezembro de 2025, que priorizava o voluntarismo sem foco, e pelo sucesso da operação que capturou o ditador Nicolás Maduro. A isso somou-se a influência de seu principal aliado, Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, que almejava a queda da teocracia iraniana.

O resultado, contudo, tem sido pífio. A teocracia iraniana permanece no poder, e embora suas capacidades ofensivas tenham sido degradadas, a campanha de retaliação contra aliados americanos na região não foi impedida. A credibilidade militar dos EUA também sofreu arranhões, com problemas em porta-aviões e relatos de estoques baixos de mísseis. Conforme informação divulgada pela fonte do conteúdo, o resultado foi pífio e a teocracia continua no poder.

O Irã resiste e o mercado de energia sente o impacto

Um dos pontos cruciais do conflito é o controle do Estreito de Hormuz pelo Irã. A disrupção do tráfego, que representa um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial, abalou o mercado, com o barril de Brent acumulando alta superior a 20% no ano. O programa nuclear iraniano, um dos principais motivos para a guerra, continua uma incógnita, com a Agência Internacional de Energia Atômica sem inspeções e sem saber o destino de 411 kg de urânio enriquecido.

Apesar da pressão militar, os EUA recorreram a sanções, uma tática incomum após o fracasso da abordagem militar. A ameaça de asfixiar economicamente quem apoia o Irã, como a China, é, por ora, apenas uma ameaça. A teocracia, com 47 anos de sanções, afirma não se curvará. Internamente, porém, os sinais são desfavoráveis, com inflação anual de 66% em julho e aumento de 128% nos alimentos, cenário que pode alimentar novos protestos.

Um novo mapa geopolítico no Oriente Médio

A guerra de Trump contra o Irã, apesar de inconclusa, está reconfigurando as alianças e os poderes regionais. O Irã, embora tenha ganhado poder de barganha com o controle de Hormuz, perdeu influência regional com a decadência de seus aliados, como os houthis do Iêmen, que agora enfrentam riscos com as hostilidades no Mar Vermelho. Israel, por outro lado, emerge mais temido, com sua posição de força ante o Hezbollah no Líbano.

Um pacto inédito entre Turquia, Arábia Saudita e Paquistão surge como reação à agressividade iraniana, mas também mira Israel. A obliteração de Gaza e a política israelense na Cisjordânia, no entanto, dificultam a acomodação regional, dado o peso simbólico da causa palestina. Ancara se destaca como rival estratégico de Israel, com a possibilidade de a Síria, governada por jihadistas, se juntar à aliança, aumentando o risco de choque.

A complexidade do cenário e a incerteza para os EUA

O quadro se torna ainda mais complexo com a potencial adesão de Estados do Golfo, que absorveram parte da retaliação iraniana e desconfiam da capacidade americana de defesa, e do Egito, em processo de rearmamento. A guerra de Trump contra o Irã, portanto, caminha para se tornar um processo crônico, enquanto as peças geopolíticas da região se rearranjam sob um novo e incerto equilíbrio de poder.

O voluntarismo sem foco, base da Estratégia de Defesa Nacional de dezembro de 2025, e o sucesso da operação que capturou o ditador Nicolás Maduro levaram à escalada contra o Irã. À soberba somou-se a lista de desejos de seu único aliado, ao menos nas cinco primeiras semanas de combates mais severos da empreitada, Binyamin Netanyahu. O premiê de Israel queria ver a derrocada final da teocracia após ter tido sucesso no embate com seus prepostos regionais em resposta ao ataque dos terroristas do Hamas em 2023. A sucessão confusa de “casus belli” elencados por Trump reforça a sensação de improviso.

Com tudo isso, restou ao republicano o recurso constante ao Taco, acrônimo em inglês para o chiste “Trump sempre amarela”. Ultimatos seguidos de tréguas, até com ameaça de genocídio, pontuaram as negociações. Arranhou-se no processo a credibilidade militar dos EUA. Dois porta-aviões tiveram de deixar o conflito devido a problemas, e os estoques baixos de mísseis foram relatados como o motivo para que Trump deixasse sua campanha renovada de ataques em julho.

O fim, na semana passada, de um cessar-fogo de 60 dias desrespeitado pelos dois lados levou à tática inusual de ampliar sanções após fracassar a pressão militar. Até aqui, a ameaça americana de asfixiar também quem apoia economicamente Teerã, no caso a China, é só isso, uma ameaça. Com 47 anos de sanções nas costas, a teocracia diz que não será desta vez que se curvará.

Mas os sinais internos são desfavoráveis: embora o regime tenha resistido, a inflação anual chegou a 66% em julho, e os alimentos subiram 128%. Se isso pode disparar renovados protestos, como os que antecederam a guerra, é incerto, mas Teerã não parece disposta a pagar a aposta. No mês passado, a Guarda Revolucionária instalou como chefe da milícia Basij Hossein Taeb, que comandou a brutal repressão aos atos no começo do ano. A Basij, força conhecida pela violência sectária, é empregada para conter dissenso. O conflito calou a oposição em público, mas a trégua não declarada de Trump pode abrir espaço à insatisfação.

O Irã ganhou poder de barganha com Hormuz, mas perdeu musculatura regional com a decadência dos aliados, na nova arquitetura desenhada desde o 7 de Outubro. Mesmo aliados mais independentes, como os houthis do Iêmen, enfrentam riscos com as hostilidades no mar Vermelho. No novo cenário, Israel surge mais temido, como sua posição de força ante o Hezbollah no Líbano mostra. Isso levou ao pacto inédito entre Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, potência nuclear assim como o Estado judeu. O plano trumpista de parar de sujar as mãos mundo afora esbarra na necessidade de fazer esses quatro atores, todos seus aliados, se acertarem. Mas a obliteração de Gaza e a política destrutiva de Israel na Cisjordânia por ora impedem tal acomodação, dado o peso simbólico que a causa palestina tem no mundo muçulmano.

O chamado Acordo de Meca reage à agressividade iraniana contra os vizinhos, mas mira Tel Aviv, como mostrou o bombardeio israelense de uma base síria que, segundo eles, abrigaria forças turcas. Ancara emerge como o principal rival estratégico de Israel. Se a Síria, governada por jihadistas que derrubaram em 2024 a ditadura apoiada por Teerã e Moscou com apoio turco, entrar na aliança, o choque parece inevitável. O quadro fica ainda mais complexo com a hipótese de adesão de Estados do Golfo, que absorveram a maior parte da retaliação do Irã na guerra e desconfiam da capacidade americana de defendê-los, e principalmente do Egito, que está em paz com Israel desde 1979 e vive um processo de rearmamento.

Com tudo isso, a guerra de Trump contra o Irã se mostra um processo inconcluso que talvez caminhe para se tornar crônico, enquanto as peças geopolíticas da região se rearranjam.

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