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Guerra e Inflação no Irã: Carne Ossos, Óleo Caro e Governo Apostando em Resistência Econômica

Iranianos Sofrem com Impacto Econômico da Guerra, Mas Governo Aposta em Resistência à Inflação

O Irã vive um cenário de contrastes. Enquanto nas ruas de Teerã a vida parece seguir seu curso normal, com cafés cheios e manifestações de apoio ao governo, o impacto econômico da guerra é sentido de forma brutal pela população. O aumento dos preços de alimentos básicos, como carne e óleo de cozinha, tem levado muitos a situações extremas, recorrendo a itens antes descartados para sobreviver.

O bloqueio de rotas comerciais e a desvalorização da moeda local agravam a situação, tornando bens essenciais inacessíveis para grande parte da população. O governo, por sua vez, busca demonstrar força e resiliência, apostando na capacidade do país de suportar a pressão econômica externa, enquanto reprime protestos internos e exibe unidade nacional.

A inflação galopante, especialmente nos alimentos, é um dos reflexos mais visíveis do conflito. O governo iraniano, no entanto, afirma que o país tem fôlego para resistir e que a estratégia de controle do Estreito de Ormuz garante uma posição de vantagem. As informações são baseadas em reportagem da Folha de S.Paulo.

O Preço da Carne e a Busca por Ossos em Teerã

Em bairros como Shoush, no sul de Teerã, a realidade é dura. O açougueiro Mojtaba relata que a carne de carneiro, antes um item de luxo, quase não é mais vendida. O produto mais procurado agora são os ossos, vendidos a preços simbólicos, que antes eram descartados. O subsídio governamental de cerca de R$ 25 por pessoa ao mês é o que tem evitado o fechamento de muitos estabelecimentos.

Os preços das carnes subiram mais de 40% desde o início da guerra, e o movimento nos açougues caiu pela metade. Saeid, desempregado, visita o açougue de Mojtaba diariamente apenas para acompanhar a alta dos preços. A última vez que comeu frango, a proteína mais barata, foi há mais de um mês, uma mudança drástica em relação ao consumo semanal anterior.

Bloqueios e Rotas Alternativas Elevam Custos

O bloqueio americano no Estreito de Ormuz afeta diretamente a chegada de mercadorias ao Irã. Rotas terrestres alternativas pela Turquia e Azerbaijão, e pelo Mar Cáspio, encarecem significativamente o frete. Isso contribui para a inflação dos alimentos, que segundo dados do banco central iraniano, subiu 115%.

A moeda iraniana, o rial, sofreu uma enorme desvalorização, sendo negociada a cerca de 1,9 milhão por dólar americano. A inflação geral no país atinge 73,5%. Para lidar com a situação, o governo anunciou um aumento de 60% no salário mínimo, que passou para o equivalente a R$ 630 mensais.

Óleo de Cozinha: Símbolo da Carestia e Medidas de Alívio

O óleo de cozinha tornou-se um símbolo da crise de abastecimento e dos preços elevados. Na fronteira com a Turquia, pessoas cruzam a pé para comprar galões de óleo de girassol. Em Teerã, o preço de um galão de cinco litros mais que dobrou desde o início da guerra, passando de R$ 60 para mais de R$ 120. Grande parte desse produto é importada e sofreu com o bloqueio americano, além da eliminação de subsídios pelo governo iraniano no final do ano passado.

O governo tem buscado implementar medidas para aliviar o impacto da inflação, como o aumento de programas de auxílio e a distribuição de vouchers eletrônicos para cerca de 87 milhões de pessoas. O chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, declarou que o objetivo do inimigo é pressionar economicamente a população.

Resiliência Nacional e Visão de Vitória do Governo

Apesar das dificuldades, o governo iraniano exibe confiança na capacidade de resistência do país. Integrantes do governo e analistas alinhados afirmam que o Irã pode suportar mais três ou quatro meses de guerra econômica. Eles apostam que a resiliência iraniana à inflação é maior do que a do presidente americano Donald Trump, que enfrenta queda de popularidade devido à alta dos combustíveis nos EUA.

Nas ruas de Teerã, manifestações de apoio ao governo são frequentes, contando com a presença de figuras públicas, como a seleção iraniana de futebol. O discurso oficial é de que o Irã está vencendo a guerra e que o controle do Estreito de Ormuz colocou o mundo refém. Foad Azodi, professor da Universidade de Teerã, afirma que o Irã consegue aguentar a pressão econômica por muito mais tempo que Trump.

O bloqueio da internet também representa um golpe significativo, afetando negócios que dependiam de redes sociais para vendas. Zeynab Dezfouly e Mansour Salimi, que vendiam bolsas e chapéus de crochê pelo Instagram, viram suas vendas caírem drasticamente. A perda da loja online os forçou a buscar alternativas, como vender na rua e em sites locais iranianos.

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