Guerra na Ucrânia registra maior número de mortes civis desde o início do conflito
As primeiras três semanas de julho apresentaram a maior taxa diária de mortes de civis na Guerra da Ucrânia desde o início da invasão russa em março de 2022. Os dados mais recentes indicam um cenário alarmante, com um aumento significativo na violência que afeta diretamente a população.
O Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos) aponta que até o dia 23 de julho, 2.369 civis perderam a vida em ambos os lados do conflito. Este número representa 78% do total registrado em todo o ano de 2025, evidenciando a intensidade recente dos combates.
A taxa diária de mortes, que em janeiro era de 7,1 civis, saltou para 21 em julho. Este índice é o mais alto desde o pico inicial da invasão, quando a média chegou a 74,7 mortes por dia. Conforme informação divulgada pelo Acled, todas as estimativas são consideradas subestimadas pela ONU.
Escalada de Ataques Aéreos e Drones Intensificam Violência
O recrudescimento da guerra neste ano tem sido marcado por um aumento na utilização de drones e mísseis por ambos os lados. Kiev tem intensificado seus ataques com armamentos de fabricação própria, enquanto Moscou responde com uma campanha mais rigorosa, afetando infraestruturas logísticas e comerciais.
O caráter aéreo dos combates, que afeta mais diretamente os civis, é evidenciado pelos números. Neste ano, foram registrados 33.628 ataques com drones, sendo 23.395 direcionados à Ucrânia. Em comparação, em todo o ano de 2025, o número total foi de 38.150 ataques, com 24.416 contra o país de Volodimir Zelenski.
Em julho, até o dia 23, a Ucrânia registrou 439 mortes civis, enquanto a Rússia contabilizou 62. Cenas de ataques a centros logísticos e depósitos têm se tornado mais frequentes, resultando em vítimas fatais e feridos.
Kiev Sofre Ataques Mortíferos em Meio à Estagnação das Negociações
A capital ucraniana, Kiev, tem sido alvo de ataques com mísseis balísticos que atingiram instalações comerciais, deixando um rastro de destruição. No início de julho, um grande ataque resultou em ao menos 17 mortos e 44 feridos na cidade.
A estagnação das negociações de paz, que antes contavam com o envolvimento de Donald Trump, tem contribuído para a multiplicação de incidentes violentos. De acordo com o Acled, foram contabilizados 61.696 incidentes até o momento, sendo 50.953 na Ucrânia.
A Ucrânia tem solicitado mais mísseis de interceptação, mas as reservas americanas estão baixas devido ao conflito no Oriente Médio, segundo relatos. Isso tem permitido que os bombardeios russos causem um estrago crescente, como no ataque mais mortífero em Kiev em julho, que deixou 32 mortos.
Contexto Histórico: O Ano Mais Mortífero para Civis e Mudanças nas Proporções de Vítimas
O ano de 2022 foi o mais letal para civis na guerra, com 5.976 mortes, sendo 98% delas na Ucrânia. O pico de março daquele ano, com 74,7 mortes diárias, caiu drasticamente em abril para 15,6 com o fim do cerco a Kiev.
Em 2023, ucranianos representavam 94% das vítimas civis. Em 2024, essa proporção diminuiu para 77% com a invasão russa na região de Kursk, aumentando as baixas russas. No entanto, com a retirada ucraniana de Kursk, a proporção de mortos ucranianos voltou a subir para 88% em 2025.
Os números, embora alarmantes, são apenas uma estimativa. A complexidade do conflito e as dificuldades de acesso a todas as áreas afetadas indicam que o número real de vítimas civis pode ser ainda maior, como ressalta a ONU, que afirma que todas as estimativas são subestimadas.





