China exige fim imediato da guerra no Irã e pede diálogo como única solução, em meio a tensões globais.
Em um pronunciamento contundente, o Ministério das Relações Exteriores da China solicitou, nesta sexta-feira (15), um cessar-fogo “abrangente e duradouro” o mais rápido possível na guerra do Irã. A declaração, divulgada em Pequim, ressaltou que o conflito “jamais deveria ter acontecido” e “não tem razão para continuar”, marcando a posição mais firme do país asiático sobre a questão até o momento.
O comunicado surge em um momento crucial, coincidente com o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, na capital chinesa. A cúpula, focada em temas como o conflito iraniano e trocas comerciais, ganha um novo contorno com a forte manifestação diplomática de Pequim.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, a guerra no Irã tem “impactado severamente o desenvolvimento econômico global, as operações da cadeia de suprimentos, a ordem do comércio internacional e a estabilidade do fornecimento global de energia”. Conforme informação divulgada pelo Ministério, a China defende a reabertura das rotas marítimas como essencial para a estabilidade e o fluxo contínuo das cadeias de suprimento.
China reitera defesa do diálogo e critica soluções militares
A posição chinesa enfatiza que “o diálogo e a negociação são o caminho certo” e que uma “solução militar não é o caminho”. A declaração ressalta que, agora que a porta para o diálogo foi aberta, “ela não deve ser fechada novamente”, reforçando a crença de Pequim na diplomacia como ferramenta para a resolução de conflitos internacionais.
O documento foi divulgado enquanto os chefes de Estado se reuniam em Zhongnanhai, um complexo de edifícios que abriga a sede oficial do Partido Comunista Chinês e do regime em Pequim. Este local é frequentemente comparado à Casa Branca, nos Estados Unidos, por ser também a residência do chefe de Estado, embora não seja acessível ao público.
Trump afirma que Xi Jinping prometeu não enviar armas ao Irã e ajudar na abertura do Estreito de Hormuz
Em entrevista à Fox News, Donald Trump declarou que Xi Jinping ofereceu ajuda para a abertura do Estreito de Hormuz e assegurou que a China “não vai fornecer equipamentos militares” para auxiliar o Irã no conflito. “Ele gostaria de ver o estreito de Hormuz aberto e disse: ‘Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar'”, afirmou Trump, acrescentando que Xi disse isso “enfaticamente”.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que acompanha a comitiva americana, confirmou à Bloomberg que oficiais chineses deixaram clara a intenção de manter o estreito desobstruído. “É realmente importante para a China que o Estreito de Hormuz esteja aberto, sem cobrança de pedágio, sem controle militar, e isso ficou claro na reunião”, disse Greer, que também avaliou o envolvimento chinês com o Irã como “pragmático”.
Acordos bilaterais e expectativas para o futuro
As declarações americanas seguiram os encontros entre os líderes, que incluíram reuniões bilaterais, visitas a locais históricos e um banquete de Estado. Após esses compromissos, a Casa Branca emitiu um comunicado informando que Trump e Xi concordaram sobre a necessidade de manter o Estreito de Hormuz aberto e sobre a importância de o Irã não possuir armas nucleares.
A visita de Trump a Pequim, originalmente agendada para abril, foi adiada devido à guerra no Oriente Médio. O governo americano esperava que, na ocasião do encontro, o conflito já estivesse finalizado, permitindo que a agenda dos líderes se concentrasse em outras áreas de interesse, como comércio, tarifas e tecnologia.





