Guerra no Irã revela fragilidades na maior máquina militar do mundo, com crise de munição e custos bilionários
A guerra contra o Irã, que completou seis meses em abril, tem exposto as vulnerabilidades da poderosa máquina militar dos Estados Unidos. O conflito desafiou os planos americanos, que esperavam uma resolução rápida, mas se depararam com a necessidade de defender bases, apoiar aliados e lidar com a retaliação iraniana.
A estratégia inicial, baseada na destruição do comando político e militar iraniano, mostrou-se ineficaz diante da estrutura horizontal de decisões do país persa. Ataques retaliatórios foram disparados desde o primeiro dia, e o Irã também conseguiu travar o trânsito no estreito de Hormuz, forçando uma mudança na tática americana para a pressão econômica.
Relatos indicam que a ineficácia e o alto custo dos ataques pontuais levaram o presidente Donald Trump a optar por uma nova estratégia. Apesar das negações oficiais sobre problemas, as dificuldades se acumularam, especialmente no que diz respeito ao suprimento de munições, conforme informações da TV CBS e da agência Reuters.
Crise de munição e custos exorbitantes na guerra contra o Irã
A escassez de mísseis de longo alcance, como os ATACMS, que custam cerca de R$ 5 milhões cada, já é uma realidade. Estimativas de institutos como o CSIS apontam que um quarto dos 4.500 mísseis Tomahawk, cada um valendo quase R$ 7 milhões, pode ter sido utilizado. O Departamento de Defesa estima que o conflito já custou R$ 194 bilhões, com um pedido de suplementação de R$ 346 bilhões para repor os arsenais.
Mesmo negando a falta de munição, Trump invocou a Lei de Produção de Defesa, um mecanismo da Guerra Fria, e solicitou a aceleração da fabricação de armas. A gigante Raytheon, por exemplo, recebeu um contrato de R$ 118 bilhões para aumentar a produção de Tomahawks.
Aliados sofrem com a escassez de armamento americano
A crise de munição americana também afeta seus aliados. A Ucrânia, que dependia de armamento via europeus, viu a entrega de mísseis de interceptação cair em dois terços, enquanto enfrenta novos ataques russos. O Japão também foi informado sobre o atraso na entrega de 400 mísseis Tomahawk, destinados a reforçar sua posição contra a China.
Desafios na Marinha e o impacto no Pacífico
O aperto militar americano é ainda mais evidente no Pacífico, que pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial está sem um grupo de porta-aviões durante um conflito. O USS Gerald Ford, o maior navio de guerra do mundo, teve que deixar a região do Mar Vermelho devido a problemas estruturais. O grupo do USS Abraham Lincoln esticou sua missão no mar por quase nove meses, gerando uma crise pública a bordo.
Com 4 porta-aviões em manutenção, 2 em treinamento e 2 em porto, apenas 2 dos 11 porta-aviões nucleares dos EUA estão em operação. Danos à sede da Quinta Frota no Bahrein agravaram a situação da Marinha, forçando o desvio de suprimentos para bases mais distantes.
Apesar desses desafios, os EUA mantêm um bloqueio naval ao Irã com quase 20 embarcações e sua capacidade de deslocamento de recursos continua inigualável. No entanto, a natureza assimétrica do conflito sugere que o investimento em armas tecnológicas pode não ser suficiente para suportar atritos prolongados, levando os EUA a acelerarem projetos para multiplicar sua força de drones e desenvolver mísseis mais baratos e abundantes.





