Hay-on-Wye, a “Capital do Livro” no País de Gales, é o berço de um evento que serviu de inspiração direta para a Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.
Essa conexão, admitida pelos próprios idealizadores da Flip, é celebrada em colaborações periódicas que ajudam a reforçar ainda mais os laços entre autores e leitores nos dois lados do Atlântico. Mas, apesar das diversas referências ao evento galês, muitos frequentadores da festa em Paraty ainda desconhecem as minúcias por trás do Hay Festival, que acabou rendendo frutos tão bem-sucedidos no Brasil.
A pequena Hay-on-Wye, com menos de 2 mil habitantes, começou a ganhar fama a partir dos anos 1960, após a inauguração de uma livraria pelo pioneiro Richard Booth. O local gradativamente se tornou um polo para entusiastas da literatura, chegando a acumular 20 livrarias especializadas em títulos novos ou usados.
O resultado desse esforço dos livreiros em fazer de Hay-on-Wye um destino cult para quem ama a leitura veio em 1988, com a organização do primeiro Hay Festival. Não demorou para o evento se tornar um sucesso, rendendo à localidade o título de Capital Galesa do Livro.
O Nascimento de um “Woodstock da Mente” e a Inspiração para a Flip
Organizado ao longo de 10 dias entre maio e junho, o Hay Festival adquiriu fama global. O ex-presidente americano Bill Clinton já o descreveu como um “Woodstock da mente”, em referência ao famoso festival de artes e música realizado em Nova York em 1969. Essa atmosfera única e inspiradora serviu de modelo para a criação da Flip.
A ideia da Flip, que nasceu em 2003, veio diretamente da experiência de seus organizadores em Hay-on-Wye. “Eu estava publicando alguns autores brasileiros na época, como Chico Buarque, Rubem Fonseca, Patrícia Melo e Milton Hatoum. Levamos um grupo deles para Hay-on-Wye e foi lá que a ideia realmente nos pegou (em 1997)”, contou a inglesa Liz Calder, uma das mentoras da festa em Paraty, em entrevista à BBC em 2012.
Conforme a Flip foi crescendo, a conexão com o Hay Festival se intensificou. Em 2026, por exemplo, o evento na Europa chegou a ter curadoria de autores brasileiros, como parte das celebrações do Ano Cultural Reino Unido/Brasil 2025-2026. No País de Gales, a festa literária deste ano ocorreu entre 21 e 31 de maio, enquanto a Flip está marcada para 22 a 26 de julho.
Mais que um Festival: Descobrindo Hay-on-Wye
Embora o Hay Festival seja o grande motivo que leva visitantes a essa localidade, a cidade oferece outras atrações. Mesmo fora do período do evento, é possível encontrar as livrarias que tornaram a cidadezinha tão famosa.
O **Hay Castle**, a fortaleza em torno da qual o vilarejo se desenvolveu, é um dos monumentos mais conhecidos. Existente desde o século 11, com a estrutura atual datando do século 17, o castelo reabriu para visitação em 2022 após longas reformas. Ele recebe eventos pontuais, sessões de cinema a céu aberto e tours guiados. Um ingresso custa £ 7.50 e vale pelo ano todo, com o castelo aberto diariamente das 10h às 17h.
Natureza e Tradição: Atrações Além dos Livros
Para os amantes da natureza, alugar um caiaque para percorrer o rio Wye, que dá nome à cidade, ou fazer trilhas nas cercanias, como as Black Mountains, são ótimas opções. Dentro da própria Hay-on-Wye, uma feirinha de produtos orgânicos e antiguidades ocupa as ruas toda quinta-feira.
Outras atrações podem ser descobertas no site do Escritório de Turismo local, enriquecendo ainda mais a experiência de quem visita essa charmosa “capital do livro” no País de Gales.





