Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

IA Revoluciona o Pop Brasileiro: Hitmakers Revelam Uso Massivo de Ferramentas de Inteligência Artificial na Criação Musical

Uso de IA em músicas pop nacionais é rotina, afirmam profissionais da indústria musical

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma ferramenta cada vez mais presente na criação musical brasileira. Profissionais da indústria revelam que grandes sucessos do pop nacional podem ter sido total ou parcialmente produzidos com a ajuda de IAs, impactando desde artistas iniciantes até grandes nomes do cenário musical.

Essa tecnologia se infiltrou de forma ampla em todas as etapas do processo criativo. Desde a concepção de melodias e harmonias até a finalização de vocais e instrumentais, a IA oferece novas possibilidades e agiliza a produção, levantando discussões sobre autoria e originalidade.

Conforme apurado pelo g1, o uso de IA abrange projetos de artistas de todos os portes, indicando uma democratização e, ao mesmo tempo, uma padronização crescente no mercado. Entenda como essa revolução tecnológica está moldando o futuro da música popular no Brasil.

Suno AI e outras IAs: as novas ferramentas dos compositores

Ferramentas como a Suno AI se tornaram extremamente populares entre músicos e produtores. A plataforma permite a criação de músicas completas a partir de comandos simples, como estilo musical, tonalidade e andamento. Além dela, IAs mais gerais, como o ChatGPT e o Gemini, também são utilizadas para auxiliar na composição de letras, complementando ideias iniciais ou finalizando trechos.

Um produtor musical, que preferiu não se identificar, explicou ao g1 como a IA é aplicada na prática. “Eu não cheguei a ver ninguém criar uma letra completa com alguma ferramenta de IA, mas eu já vi bastante alguém pegar uma ideia, um início de uma letra e usar o ChatGPT ou Gemini para terminar a letra. Isso é muito comum mesmo”, relatou.

Instrumentais e vocais gerados por IA: a nova realidade da produção

Na área de produção, a disseminação da IA é ainda mais acentuada. É comum que instrumentais sejam criados inteiramente por ferramentas como a Suno AI e, posteriormente, recebam a adição de instrumentos reais para um acabamento mais orgânico. “É comum fazer instrumentais usando o Suno e depois ir colocando instrumentos [reais] por cima para dar uma disfarçada, mas a base da música foi criada por IA mesmo”, afirma um profissional.

A geração de arranjos complexos, como corais ou a inclusão de instrumentos específicos, também é facilitada. “Rola muito de gente que pega um beat sem um violão e pede a IA para gerar o violão e o arranjo da música. Ninguém tocou aquele violão, aquele violão não existe, é gerado por IA. Ou, ao invés de juntar pessoas e gravar um coral, joga a melodia na IA, então fica um coral de IA”, detalha um produtor.

O caso de Pocah: IA na criação de vocais e a autorização de uso

A cantora e compositora T’állia, que já trabalhou com artistas renomados como Anitta e Ludmilla, compartilhou um caso peculiar envolvendo a cantora Pocah. Na música “Venenosa” (2024), um refrão foi inicialmente composto com a voz de Pocah, mas, devido a imprevistos, precisou ser refeito. T’állia utilizou a voz de Pocah em uma ferramenta de IA para recriar o refrão, que acabou sendo incluído na versão final da música.

“A gente estava no estúdio fazendo a música com a Pocah. E o refrão ‘vai Maria Fumaça…’ não era aquele refrão, era um outro. Aí a Pocah foi embora e tal, a gente já tinha fechado a música. No dia seguinte, a gente quis refazer o refrão. Eu cantei o refrão, a gente passou na IA com a voz da Pocah e mandou para a Pocah. E ela aprovou, mas já tinha gravado o restante da música, entende?”, explicou T’állia ao g1.

O refrão, portanto, é uma combinação da voz de T’állia com a IA da voz de Pocah, uma solução aprovada pela artista. “Acabou que, no final de tudo, a música foi lançada com o refrão na minha voz com a IA da Pocah, porque ela esqueceu que não estava na voz dela e acabou não voltando no estúdio para regravar. Então acabou que o refrão da música não é a Pocah cantando, sou eu com a IA da Pocah em cima (…). E isso foi autorizado por ela”, completou.

Economia, agilidade e o debate sobre originalidade e direitos autorais

A incorporação da IA no mercado pop faz sentido pela lógica industrial da produção musical atual, que exige agilidade e eficiência. Ferramentas como a Suno AI, com planos acessíveis, permitem a criação de músicas em segundos, gerando economia financeira ao evitar a contratação de músicos e arranjadores. A plataforma alemã GEMA já venceu um processo contra o Suno por uso indevido de direitos autorais, pois a ferramenta é treinada com base em músicas pré-existentes sem autorização, o que pode levar a casos de plágio.

Daniel Ganjaman, produtor musical, ressalta que a IA já é uma realidade tangível no resultado final que chega ao público. “Dá pra afirmar que o uso de IA já é algo bastante tangível no resultado que chega ao público. Hoje, existem plataformas que entregam tudo extremamente mastigado a partir de um direcionamento muito genérico”, comentou.

Apesar da eficiência, o uso de IA levanta questões éticas e criativas. Ganjaman expressa preocupação com o “mau uso dessas tecnologias” que podem ter “sequestrado” a noção de arte e subjetividade. Por outro lado, alguns músicos, como T’állia, utilizam a IA de forma complementar, para mapear tendências ou auxiliar na ortografia de letras em diferentes idiomas, sem que isso signifique a ausência de criatividade humana.

Apesar das controvérsias, o público parece não se importar com a origem da música, como demonstra o sucesso de “Sina de Ofélia”, um hit assumidamente criado com IA. No entanto, profissionais alertam que as IAs ainda produzem resultados com “estranhezas”, como versos sem sentido ou harmonias “esquisitas”. A tendência futura pode ser a consolidação de artistas que abraçam o hibridismo entre o humano e a IA, ou a valorização de produções totalmente orgânicas, com suas “imperfeições” e “sujeiras” intrínsecas.

Apesar da capacidade da IA em criar hits e otimizar lucros, a criação de canções atemporais que emocionam multidões ainda parece depender intrinsecamente da sensibilidade e da criatividade humana.

Veja também

Newsletter

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Mais Vistos